Exagero de telas e medo de ficar para trás aumentam os casos de indiferença afetiva, depressão e ansiedade

Pessoas estão solitárias por ficarem presas em si mesmas, criando expectativas de se relacionar com amigos e parceiros idealizados e sem falhas

  • Por Camila Magalhães
  • 07/07/2022 10h00
Drazen Zigic/Freepik Mulher infeliz mandando mensagens no celular após uma discussão com o namorado em casa Pessoas se sentem solitárias, apesar de nunca termos estado tão conectados

As pessoas estão se dizendo mais solitárias desde que a pandemia iniciou, apesar de nunca termos estado tão conectados às pessoas através da tecnologia e redes sociais. Conteúdos diversos, informações, desinformações, postagens, encontros virtuais, games, selfies, filtros, busca por likes, algoritmos e a busca da sua melhor versão no metaversoMas por onde anda a escuta? Essa multidão virtual de informações e aparentes relações parece não estar suprindo a integração entre o sujeito e a sociedade. Nossa capacidade de escutar ainda é colonizadora: um fala e o outro escuta, sem qualquer troca.

Diante do exagero de telas e do medo de ficar para trás, só aumentam os casos de indiferença afetiva, depressão e ansiedade. Vale pensar qual equilíbrio está sendo feito no “investimento do eu” e no “investimento do nós” como sociedade. As pessoas estão solitárias por ficarem presas em si mesmas, no seu exibicionismo, criando expectativas em se relacionar com outras pessoas idealizadas e sem falhas. Somos humanos! Nossas relações serão sempre trabalhosas e dependerão de emoções compartilhadas entre desagrados e ganhos. O tempo dedicado a outras formas de falar, conviver, olhar o mundo, encontrar pessoas, produzir perspectivas é a saída para nos tornarmos mais interessantes para nós e para as pessoas que nos cercam. Lembre-se que a troca humana é potente, é o que nos vincula e nos transforma.

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*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.