Medo até de comer em público? Fobia social atrapalha a vida da pessoa e pode desencadear vícios

Quem sofre desse transtorno tem um pavor tão intenso de ser avaliado que o cérebro interpreta este evento como um perigo real, desencadeando uma série de reações físicas

  • Por Camila Magalhães
  • 25/03/2021 10h00
Nik Shuliahin/UnsplashQuando a fobia social não é tratada, pode prejudicar o desempenho nos estudos, no trabalho e nos relacionamentos

Quem nunca ficou nervoso para falar em público ou em uma entrevista de emprego? Parece que não importa quantas vezes a gente tenha passado por aquela situação, a sensação de frio na barriga, tremedeira e suor frio sempre aparecem! O medo e a ansiedade são emoções adaptativas e naturais. O medo é uma resposta a um perigo imediato e prepara o nosso corpo para luta ou fuga, ou seja, para a gente encontrar meios de enfrentar aquela situação desconfortável. A ansiedade vem antes de um evento que ainda não aconteceu e desperta vigilância e cautela.

Geralmente essas emoções são temporárias e vão embora quando a situação acaba. Mas, em alguns casos, a pessoa pode sentir medo e ansiedade excessiva por períodos prolongados, em situações nas quais seu desempenho está sendo avaliado pelos outros. Isso tem o nome de transtorno de ansiedade social. Lembra dos exemplos dos quais falei no começo deste texto? Quem sofre desse transtorno tem um medo tão intenso de ser avaliado que o cérebro interpreta este evento como um perigo real, desencadeando uma série de reações físicas.

Temendo que os outros percebam, com o tempo, a pessoa com transtorno de ansiedade social passa a fugir de situações sociais comuns como comer em público, assinar um documento ou pedir uma informação, e não somente quando seu desempenho está em jogo. Quando a fobia não é tratada, pode prejudicar, e muito, o desempenho nos estudos, no trabalho e nos relacionamentos. Isso tem impacto direto na autoestima e bem-estar. Em alguns casos, a pessoa pode fazer uso de álcool ou calmantes com o objetivo de amenizar seu sofrimento e aumentar seu enfrentamento, mas isso, na verdade, aumenta a chance de desenvolver dependência destas substâncias.

Caso você se identifique com alguns destes sintomas, é importante procurar ajuda de um psiquiatra ou psicólogo. O tratamento mais indicado é a psicoterapia, mas, em alguns casos, o uso de medicamentos pode ser necessário. Se você convive com uma pessoa assim, lembre-se de que as situações que parecem banais para você são sentidas como um perigo real para ela. A melhor forma de ajudar é acolhendo seu sofrimento e encorajando-a a procurar ajuda para melhorar a compreensão sobre os seus medos, seu enfrentamento e convívio social. Se você tiver alguma dúvida ou quiser sugerir algum tema, escreva para mim: dracamila@jovempan.com.br ou no Instagram @dra.camilamagalhaes. Até a próxima!