Conheça as diferenças entre um champanhe safrado e um sem safra declarada

Enquanto um vinho é produzido só com uvas de determinado período, o outro é feito por assemblage de bebidas de vários anos, prática que permite manter o nível de qualidade

  • Por Esper Chacur Filho
  • 07/11/2021 10h00
Esper Chacur Filho/Jovem PanUm vinho só pode ser rotulado como champanhe se for feito na região de Champagne, na França

Há dúvidas sobre a qualidade de um champanhe não safrado diante de outro com safra declarada no rótulo. É bom lembrar que Champagne é uma região controlada – AOC –, na verdade é a mais rigorosa denominação de origem utilizada na França, equivalente à DOC utilizada em Portugal. A indicação AOC nunca aparece nas etiquetas das garrafas de champanhe, pois todos os vinhos com o nome original “Champagne” são produzidos naquela região, seguindo a legislação apropriada. Esta é a única apelação, junto com a de Cognac, que dispensa esta menção, pois é a única região cujos vinhos são todos classificados. 

Vale destacar três pontos: primeiro, um vinho só pode ser rotulado como champanhe se for feito na região de Champagne, na França. Em segundo lugar, para ser chamado de champanhe, deve ser feito apenas (ou preponderantemente) com as uvas Pinot Noir, Pinot Meunier ou Chardonnay que crescem naquela região. E, em terceiro lugar, o verdadeiro champanhe, ao contrário de outros vinhos espumantes, deve ter obtido suas bolhas por meio do processo de fermentação em duas etapas: uma em barris e, novamente, em garrafas.

O champanhe safrado, chamado de Miléssimé, é produzido só com uvas da safra do ano declarado no rótulo. Como isso só acontece nos anos de grandes safras, estes são os melhores, de modo geral. Os não safrados, que é o caso da maioria dos champanhes que não tem safra (millésime) declarada, são feitos por assemblage de vinhos de vários anos, prática que permite manter o nível de qualidade , pois há anos em que a safra não é boa e, assim, “cortada” por melhores. Alcança-se um meio termo bem aceitável. Normalmente, as casas de Champagne produzem vinhos safrados e não safrados, que recebem outras classificações no tocante às uvas, teor de açúcar e tempo de maturação. Mas, o que importa, de verdade, é o gosto de quem bebe. Salut!

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.