Espumante mais prestigioso da Itália, Franciacorta é boa opção para o fim de ano
As festas de fim de ano trazem, sempre, significativo incremento no consumo e procura por espumantes que, por suas características borbulhantes carregam a alegria das comemorações e congraçamentos. Dos espumantes, o mais buscado para as comemorações é o Champagne, entretanto seu custo costuma inviabilizá-lo. Os espumantes nacionais têm sido uma grande opção de consumos, mas não são só eles que se colocam à oferta no mercado, sendo verdade que há espumantes espanhóis e italianos de altíssima qualidade e características que entregam prazer a custos bem possíveis. Aqui vou tratar dos espumantes italianos, que, afora o “Prosecco”, não são tão conhecidos do brasileiro, merecendo sê-lo.
A Itália é um dos maiores e mais diversos produtores de vinhos espumantes do mundo, oferecendo rótulos que vão de estilos leves e informais a exemplares de grande prestígio. A produção está espalhada por várias regiões, com destaque para o Vêneto, berço do Prosecco, o espumante italiano mais conhecido internacionalmente, elaborado principalmente a partir da uva Glera, com perfil fresco, frutado e fácil de beber. No Piemonte, surgem espumantes mais estruturados e aromáticos, como o Asti, feito com Moscato Bianco, marcadamente doce e perfumado, além de versões secas e complexas produzidas pelo método tradicional. A Lombardia, especialmente a região da Franciacorta, é referência em espumantes de alta qualidade. Outras regiões como Trentino-Alto Ádige, Emilia-Romagna e Sicília também têm produção relevante, com estilos que vão do fresco e mineral ao frutado e descontraído, como o Lambrusco. De modo geral, os espumantes italianos se caracterizam pela diversidade de estilos, pela forte ligação com as castas locais e por uma ampla gama de perfis que atendem tanto ao consumo cotidiano quanto a ocasiões mais sofisticadas.
Com destaquei acima, o Franciacorta é o espumante mais prestigioso da Itália e uma das grandes referências mundiais entre os vinhos elaborados pelo método tradicional. Ele é produzido na região da Franciacorta, situada na Lombardia, ao norte do país, entre a cidade de Brescia e o Lago d’Iseo. A área se beneficia de um clima moderado, influenciado pelo lago, e de solos de origem morênica, ricos em minerais, fatores que contribuem para a elegância e a complexidade dos vinhos.
A produção do Franciacorta segue rigorosamente o método tradicional (ou clássico), o mesmo utilizado na Champagne, com a segunda fermentação ocorrendo dentro da garrafa. Após a fermentação do vinho base, adiciona-se o licor de tiragem, dando início à formação natural das borbulhas. O espumante permanece em contato com as leveduras por longos períodos, o que lhe confere maior cremosidade, complexidade aromática e estrutura. A legislação da denominação é bastante exigente, estabelecendo tempos mínimos de envelhecimento superiores aos de muitos outros espumantes do mundo.
As uvas autorizadas para a produção do Franciacorta são a Chardonnay, a Pinot Nero (Pinot Noir) e a Pinot Bianco, sendo esta última limitada a pequenas proporções. Mais recentemente, a denominação também passou a permitir o uso da casta Erbamat, uma variedade autóctone de elevada acidez, empregada em percentuais reduzidos para reforçar frescor e longevidade. De modo geral, a Chardonnay aporta elegância e notas cítricas, a Pinot Nero contribui com estrutura e profundidade, enquanto a Pinot Bianco adiciona delicadeza.
Do ponto de vista gustativo, os Franciacortas são conhecidos pela acidez equilibrada, pela textura cremosa e pelas borbulhas finas e persistentes. O envelhecimento é um dos pilares da identidade do Franciacorta. A legislação exige um mínimo de 18 meses sobre as borras para os exemplares não safrados, 24 meses para os safrados (Millesimato) e 60 meses para os Riserva, o que confere maior profundidade aromática e excelente capacidade de guarda. Muitos Franciacortas, especialmente os de categorias superiores, podem evoluir de forma positiva por vários anos após o dégorgement.
A denominação contempla diferentes tipos de Franciacorta, de acordo com o estilo e o método de elaboração. O Franciacorta Non-Vintage representa o perfil clássico da região, equilibrado e versátil. O Franciacorta Satèn, exclusivo da denominação, é feito apenas com uvas-brancas e apresenta menor pressão interna, resultando em um espumante mais macio, sedoso e delicado. O Franciacorta Rosé inclui Pinot Nero em maior proporção, oferecendo mais estrutura e notas de frutas vermelhas. Já o Millesimato expressa as características de uma safra específica, enquanto o Riserva representa o ápice qualitativo, com longo envelhecimento e grande complexidade.
Em comparação com a Champagne, o Franciacorta compartilha o mesmo método de produção e utiliza castas semelhantes, o que resulta em estilos igualmente refinados. A principal diferença está no terroir e no clima: a Champagne possui clima mais frio, gerando vinhos de acidez mais cortante e perfil mais austero, enquanto a Franciacorta, com clima ligeiramente mais ameno, tende a produzir espumantes de fruta mais madura, textura mais macia e abordagem um pouco mais generosa. Ambos ocupam posições de excelência no mundo dos espumantes, representando, cada um à sua maneira, o máximo de sofisticação de seus respectivos países.
Recomendo muito que aqueles que apreciam espumantes, se aventurem pelos italianos, especialmente os da Lombardia. Salut!
continue lendo
Esper Chacur Filho
Muito além do Tannat: descubra os vinhos de boutique que revelam um outro Uruguai
Vinícolas familiares e pequenos produtores apostam em tradição, produção artesanal e diferentes terroirs para criar rótulos exclusivos que ainda são pouco conhecidos dos brasileiros
- Vinícolas boutiques: os pequenos produtores que reinventam o vinho brasileiro Esper Chacur Filho · há 2 semanas
- A outra Itália do vinho: pequenas famílias, grandes terroirs Esper Chacur Filho · há 3 semanas
- A arte de degustar vinhos Esper Chacur Filho · há 4 semanas
- Vinícolas boutique resgatam tradição e terroir em Portugal e Espanha Esper Chacur Filho · há 1 mês