Após Holanda, Canadá quer reduzir emissões de óxidos de nitrogênio de fertilizantes

Produtores temem que nova política seja similar ao do país europeu e afete agropecuária

  • Por Kellen Severo
  • 27/07/2022 09h00 - Atualizado em 27/07/2022 09h09
Reprodução/Instagram/Freedom Rally Toronto Manifestantes nas ruas No fim de semana algumas pessoas foram às ruas demonstrar apoio aos agricultores holandeses e erguer faixas dizendo que sem agricultores não há comida

Os produtores rurais do Canadá estão preocupados que o governo do primeiro-ministro Justin Trudeau adote o plano de redução de 30% nas emissões de fertilizantes no país, assim como fez recentemente o governo da Holanda. No fim de semana algumas pessoas foram às ruas demonstrar apoio aos agricultores holandeses e erguer faixas dizendo que sem agricultores não há comida. Isso porque a depender da política de redução de emissões adotada, algumas atividades agropecuárias podem ser inviabilizadas lá na Europa e os agricultores temem que o Canadá adote política semelhante, também afetando a produção de comida no país. A agricultura é responsável por 10% das emissões de gases do efeito estufa no país. Nos últimos dias a ministra da Agricultura do Canadá publicou alguns destaques do próximo quadro de política agrícola, que incluem, entre outras medidas, a meta de redução de gases de efeito estufa. No site do governo, a redução de fertilizantes é tratada como forma de contribuir para o corte das emissões do setor agrícola. O governo de Saskatchewan está atacando Ottawa e criticando as medidas previstas para o agro nos próximos anos. No twitter, o ministro da província, David Marit retuitou o texto do premier da Província, Scott Moe que diz: o mesmo governo federal que alienou nossa indústria de petróleo e gás está agora colocando em risco a segurança alimentar global ao atacar os produtores agrícolas que trabalham duro no oeste do Canadá com o objetivo arbitrário de reduzir o uso de fertilizantes.

O setor agro canadense está preocupado. Um estudo encomendado pela indústria de adubos revelou que o prejuízo aos agricultores caso haja uma redução de 20% no uso do insumo entre 2023 e 2030 seria de US$ 48 bilhões pela redução de produtividade esperada.  Além disso, as exportações de canola – potencialmente a mais afetada pelo plano – poderiam ficar próximas de zero. Os embarques da cultura e do trigo para abastecimento mundial teriam uma queda estimada em 14 milhões de toneladas por ano. Conversei com uma pecuarista de lá que me disse: Eles não entendem que quando você reduz um ingrediente principal você precisa prover alternativas e eles não estão provendo alternativas e nem o governo da Holanda. Isso é preocupante para a produção global de alimentos. Ela tem razão. O problema é que parece que essa  moda está pegando e estamos normalizando alguns absurdos. De novo vale dizer que o que acontece na Holanda e agora no Canadá serve de exemplo do que não deve ser replicado aqui no Brasil. Ou seja:a imposição de medidas que penalizam a produção de alimentos não é o caminho. Opor agenda verde e produção não funciona. As práticas de sustentabilidade podem coexistir com a agricultura moderna, o gradualismo na adoção de medidas é esperado assim como o diálogo com o setor produtivo para as boas práticas que os governos queiram sugerir. Fora isso, restam apenas medidas autoritárias que contribuem para o desarranjo econômico e social, como vimos no Sri Lanka há poucas semanas.

Homem segura bandeira e cartaz em protesto no Canadá

A depender da política de redução de emissões de fertilizantes, atividades agropecuárias podem ser inviabilizadas|Reprodução/Instagram/@freedomrallyto

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.