Governo estuda criar sistema de informação sobre exportações

Demanda vem do setor de carnes, que pede dados sobre volume contratado; ideia é gerar transparência e evitar especulações no mercado brasileiro, que vive o pico de preço para soja e milho

  • Por Kellen Severo
  • 30/04/2021 10h00 - Atualizado em 30/04/2021 10h31
EFE/Marcelo SayãoDemanda vem do setor de carnes, que sofre alta de custos na produção

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) voltou a defender nesta semana a criação de um sistema que informe, antecipadamente, o volume de grãos contratados para exportação. Segundo o presidente da ABPA, Ricardo Santin, a medida não é uma forma de controlar os futuros embarques. “Somos contra o controle de exportação”, afirmou. A ideia é gerar transparência e evitar especulações no mercado brasileiro, que vive o pico de preço para soja e milho e uma alta de custos na produção de carnes. Diferentemente do governo da Argentina, que adota medidas de restrição das exportações, no Brasil o governo não limita embarques de produtos para o exterior, e nem deve fazer isso, já que a intervenção estatal atrapalha a evolução dos negócios. Aqui, o que está sendo estudado é uma plataforma com dados sobre exportação, segundo o governo, com o objetivo de diminuir a assimetria de informações no mercado.

A ideia é que o volume contratado para exportação esteja disponível para todos e antes do fim da safra. Assim, podem ser criados cenários sobre a disponibilidade de produto, contando com o que já foi vendido. Hoje, no Brasil, esses dados são conhecidos só no final da temporada. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Departamento de Agricultura faz esse tipo de divulgação sobre exportações desde a década de 70. Fontes de dentro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) disseram que, para gerar o sistema de informação de exportação, será preciso evoluir tecnicamente, com estudos sobre todos os produtos e de acordo com parâmetros internacionais. Ou seja, a criação do modelo está em discussão no governo, mas não é algo rápido e nem fácil de ser implementado, porque não é só o milho a commodity em questão.