Vitórias do PSOL e do PCdoB ajudariam os negros?

A legalização das drogas pode até ajudar famílias negras em menor escala, mas os dois partidos, em geral, defendem políticas públicas que impedem a ascensão de quem eles supostamente defendem

  • Por Leandro Narloch
  • 23/11/2020 15h48
Jovem PanCandidata à Prefeitura de Porto Alegre, Manoela D'Ávila é uma das principais lideranças do PCdoB

O PCdoB é o partido com mais negros e pardos (70%) entre os vereadores eleitos este ano. O PSOL, com 48% autodeclarados dessas etnias, fica em 11º lugar, mas é um dos que mais vocifera contra o racismo e a violência racial. Então vale a pergunta: vitórias desses partidos nas eleições deste ano ou em 2022 seriam vantajosas para os negros? Antes de tudo é preciso escancarar a diferença entre vontade política e resultado. Digamos que seja verdade a afirmação (bastante duvidosa) de que esses partidos de fato se preocupam em ajudar os negros. Isso não evita que suas propostas e decisões sejam tiros no pé. Querer é uma coisa, realizar é outra, defender políticas corretas é uma terceira. 

Por um pequeno lado, a vitória até ajudaria. PSOL e PCdoB são favoráveis à legalização das drogas – e um em cada três presos no Brasil respondem por tráfico, boa parte deles sem ter cometido crimes violentos. A prisão prejudica também a família: os filhos crescem sem a figura paterna em casa, fator que aumenta as chances de uma criança entrar para o crime. A legalização evitaria parte desses problemas. Mas todas as outras políticas defendidas por PSOL e PCdoB pioram as chances dos pardos e negros ascenderem. Principalmente na educação pública. Vitórias desses partidos deixariam os brasileiros ainda mais reféns dos sindicatos de professores. Os dois são contra bonificação a professores por desempenho dos alunos, contra sistemas como o ProUni para a educação básica. Em Nova York, “charter schools” para alunos negros e hispânicos de baixa renda conseguiram resultados muito melhores que os das escolas públicas. PSOL e PCdoB são contra essas iniciativas que reduzem o abismo entre brancos e negros. Assim, acabam condenando quem estudou em escola pública a passar a vida como serviçal de egressos das particulares. 

PCdoB e PSOL são contra o adensamento urbano. Os planos diretores que impediram cidades mais altas e compactas são um motor fortíssimo de exclusão social no Brasil. Ao restringir a oferta, encarecem o preço dos imóveis. Proibiram residências multifamiliares (como os antigos cortiços do centro de São Paulo) e assim empurraram os pobres para favelas e áreas distantes, obrigando-os a gastar três, quatro horas por dia para chegar ao trabalho. (Para ler mais sobre isso recomendo o artigo “A promoção da desigualdade pelo planejamento urbano”, do site Caos Planejado.) PCdoB e PSOL defendem impostos sobre fortunas. Como explicou meu colega Samy Dana, essa iniciativa provoca fuga de capital e pode levar ao empobrecimento de toda a população, incluindo pardos e negros. Menos gente endinheirada no Brasil resulta em menos empregos, menos oportunidades. 

Mas e cotas raciais em universidades e concursos públicos, será que ajudariam os negros? Tenho dúvidas. Certamente ajudariam alguns negros, uma elite entre eles, mas a imensa maioria dos pardos e negros seguiram sem escola básica ou bons empregos. O economista Thomas Sowell faz uma pergunta interessante: a ascensão social dos negros depende da vitória de políticos negros? Sowell diz que no caso de muitas etnias discriminadas isso não foi necessário. Nunca houve presidente americano judeu ou japonês, mas esses grupos de descendentes foram da base para o topo da pirâmide social americana no último século. O mesmo ocorreu com os sikhs na Inglaterra – a pouquíssima representação política não impediu que saíssem do grupo mais pobre para um dos mais ricos do país.  Minha resposta é “não”: vitórias do PCdoB e do PSOL prejudicariam os negros brasileiros. Pronunciar discursos bonitos contra os racismos ajuda pouco os negros: o que eles precisam é que o Estado seja mais eficiente e pare de atrapalhar os brasileiros. 

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.