Academia Brasileira de Ciências pede mais estudos antes da exploração de petróleo na Margem Equatorial
A Margem Equatorial brasileira, que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte, é a nova fronteira de interesse da indústria do petróleo. A Petrobras planeja investir bilhões de dólares em perfurações, mas a maioria dos blocos segue sem licença ambiental do Ibama. O processo depende da Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS), considerada essencial para medir riscos e impactos socioambientais. A Academia Brasileira de Ciências (ABC) acabou de divulgar um relatório com recomendações sobre a exploração na região. A entidade não se posiciona contra ou a favor da atividade, mas alerta que qualquer decisão deve estar respaldada por ciência, transparência e planejamento rigoroso. O documento destaca a importância de salvaguardas ambientais e socioeconômicas, com exigências como: modelagem contínua para prever a dispersão de vazamentos, considerando correntes marinhas específicas da região, planos de contingência robustos e monitoramento constante, proteção e restauração de manguezais, ecossistemas que estocam grandes quantidades de carbono e sustentam a pesca local, adoção de transporte de baixa emissão e tecnologias de captura e armazenamento de carbono.
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A Margem Equatorial abriga ecossistemas sensíveis como recifes mesofóticos e bancos pesqueiros, além de comunidades costeiras que dependem diretamente desses recursos. Para os cientistas, florestas costeiras, biodiversidade e serviços ecossistêmicos devem ser considerados ativos estratégicos do país. O debate sobre a exploração reflete tensões entre oportunidade econômica e risco ambiental. Defensores da atividade destacam a geração de empregos e receitas, enquanto ambientalistas alertam para o potencial de impactos irreversíveis em um bioma pouco conhecido e de alta relevância climática.Como presidência da COP30, o Brasil estará sob os holofotes internacionais. O relatório da ABC reforça que, mais do que pressa para explorar, o país precisa mostrar liderança climática, garantindo que decisões sejam tomadas com base em dados sólidos e não apenas em projeções econômicas.
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