Falta de comida na mesa e insegurança viram cabos eleitorais na campanha

Se o eleitor tem comida na mesa para a família, aprova o governo de turno

  • Por Reinaldo Polito
  • 10/03/2026 18h02 - Atualizado em 10/03/2026 18h03
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DANIEL RAMALHO / AFP crianças com fome Em 2022, extrema pobreza atingia quase 11 milhões de jovens no Brasil

Insegurança e economia devem nortear as preocupações dos eleitores nas eleições presidenciais deste ano. Sempre a economia esteve no topo, mas, diante da criminalidade, da violência e do tráfico, a segurança passou a ser a questão mais relevante para os eleitores. Os dois fatores podem ser considerados determinantes.

Essa evidência não reduz a importância da famosa frase de James Carville, em 1992: “É a economia, estúpido”. Não é difícil deduzir o que ele quis dizer com essas palavras. A decisão do voto está diretamente relacionada com a economia, o emprego e a inflação. Se o eleitor tem comida na mesa para a família, aprova o governo de turno. Se a ração estiver rala, a tendência é criticá-lo.

Rejeição pode ser determinante

Essa é uma verdade que vale em qualquer eleição no mundo todo. Portanto, inclusive no Brasil. Por isso, já entrando na fase de campanha pra valer, Lula tenta queimar todas as velas de que dispõe. Ou será que a isenção de Imposto de Renda para rendimentos até R$ 5 mil teve outro objetivo que não seja o eleitoral?

Ao que tudo indica, entretanto, essas medidas não têm surtido resultado. Segundo a pesquisa do Datafolha realizada no começo deste mês, a rejeição do presidente subiu. A avaliação de ruim ou péssimo passou de 37% em dezembro para 40%, enquanto só 32% consideram o governo bom ou ótimo.

Flávio decolou

Não é apenas o número em si que deve preocupar os governistas, mas sim a tendência crescente da desaprovação. O susto dos ocupantes do Palácio do Planalto se deu com o desempenho de Flávio Bolsonaro. Quando o ex-presidente decidiu pelo nome do filho zero 1, o opositor de Lula atingia minguados 5% de intenção de votos.
Transcorridos três meses, Flávio e Lula já estariam empatados no segundo turno das eleições. E, se o que vale é tendência na análise das pesquisas, o presidente tem razão em ficar preocupado, pois, embora esteja em campanha
desde sempre, os levantamentos dos institutos não são animadores para ele.

Flávio não punha medo

Sem contar que, ao ser anunciado, os lulistas chegaram a comemorar. Imaginavam que além da sua, Flávio herdaria também toda a rejeição do pai. Esse fator, conjugado com a baixa aceitação popular que possuía, permitia
contar o ovo antes de a galinha botar. O próprio senador chegou a declarar que talvez não conseguisse levar a cabo sua candidatura.

E o que mais deve influenciar na equação eleitoral? Tudo. Desde os fatores que podem ser previstos até os imponderáveis. Entre as informações conhecidas e que, de uma ou outra forma, poderiam ser administradas, estão a criminalidade, os juros estratosféricos, sem sinais de redução significativa; os gastos públicos, que não permitem estabilização do orçamento; e, mesmo com o governo insistindo na divulgação de inflação sob controle, os preços dos alimentos que teimam em continuar em patamares elevados.

Questões que influenciam

Os fatos que fogem do controle governista estão relacionados aos escândalos políticos, como, por exemplo, a investigação do filho do presidente e esse bendito Banco Master, que teima em não sair das manchetes da imprensa. São questões que, atingindo ou não de maneira direta o governo, podem prejudicar as pretensões de Lula.

Do lado de Flávio, os ventos são aparentemente mais favoráveis. Basta ao opositor colocar a culpa de todos os problemas do país nas costas de quem está no governo. Está certo que Lula e sua turma, talvez até por não terem acreditado muito nesse desempenho do oponente, deixaram para atacá-lo mais à frente.

Descer do salto alto

Com a água batendo no queixo, já não poderão mais esperar. Terão de descer do salto alto e gastar sola de sapato no ombro a ombro de uma campanha que tem tudo para ser uma das mais acirradas da história. Com certeza, nas próximas semanas o opositor sofrerá forte bombardeio.

As velhas histórias das rachadinhas e dos imóveis voltarão a frequentar os discursos de acusação. Terão de bater nesses temas como se Flávio tivesse culpa e já fosse considerado condenado. Da mesma forma como fizeram com o
caso da Marielle:

“Quem matou a Marielle?” Frase repetida à exaustão, impregnando no imaginário popular a ideia de que Bolsonaro pudesse ter alguma culpa. Não foi diferente com a outra indagação: “Onde está o Queiroz?”. Dando a entender que o então presidente estivesse implicado no seu desaparecimento. Passado o tempo, os culpados foram descobertos e condenados, mas o estrago para a imagem já estava feito.

A competência oratória tanto de Lula quanto de Flávio será fundamental para projetar uma imagem positiva e, ao mesmo tempo, desqualificar o adversário. Ou seja, quem for melhor de discurso terá mais chances de vencer essas eleições tão polarizadas. Siga pelo Instagram: @polito

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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