Lula desiste de ir à posse de Kast no Chile, que terá as presenças de Flávio e Eduardo

Quem vai representar o governo brasileiro é o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; novo presidente chileno tem relação muito próxima com a família Bolsonaro

  • Por Jovem Pan
  • 10/03/2026 12h10 - Atualizado em 10/03/2026 12h58
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RICARDO STUCKERT / BRAZILIAN PRESIDENCY / AFP Presidente Lula (PT) cumprimenta o novo presidente do Chile, José Antonio Kast, durante uma reunião bilateral no 'Fórum Econômico Internacional da América Latina e do Caribe', na Cidade do Panamá, em janeiro Presidente Lula (PT) cumprimenta o novo presidente do Chile, José Antonio Kast, durante uma reunião bilateral no 'Fórum Econômico Internacional da América Latina e do Caribe', na Cidade do Panamá, em janeiro

O presidente Lula (PT) desistiu na véspera de comparecer à posse do novo presidente do Chile, José Antonio Kast, segundo integrantes do governo. O petista foi convidado por Kast, assim como o senador e pré-candidato presidencial de oposição Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Quem vai representar o governo brasileiro na posse de Kast é o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Político conservador, o chileno tem relação muito próxima com a família Bolsonaro, e a equipe do senador confirmou a ida dele. O ex-presidente Jair Bolsonaro manifestou diversas vezes admiração por Kast e recebeu o apoio nas eleições de 2022 contra Lula.

Além de Flávio, a cerimônia deve contar com a presença do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que liderou uma campanha internacional em Washington, nos Estados Unidos, contra autoridades brasileiras e se tornou réu por coação.

A decisão, ainda não oficializada pela Presidência da República, começou a circular na manhã desta terça-feira (10), no Palácio do Planalto, e chegou ao conhecimento de diplomatas envolvidos na preparação da viagem, alguns deles já em território chileno. A posse ocorrerá na quarta-feira (11), na cidade de Valparaíso.

A presença de Lula, por convite pessoal de Kast e insistência do presidente eleito chileno, estava sendo avaliada nas últimas semanas e já havia sido oficializada. Eles se encontraram em janeiro no Panamá e tiveram boa interação pessoal, num gesto de aproximação de ambos.

Lula pretendia, com o ato, enviar novo sinal político de busca de pragmatismo e aproximação com lideranças de direita da região, como mostrou o Estadão.

A estratégia é uma forma de o petista se blindar da formação de um grupo de líderes de oposição que fizessem um enfrentamento ao petista e tentassem influenciar os rumos das eleições no país.

O chileno queria rediscutir com Lula o apoio à candidatura de Michelle Bachelet, ex-presidente chilena de esquerda, para secretária-geral das Nações Unidas.

Apesar de avisado por Lula, ele se disse surpreso com a campanha ativa do governo brasileiro em favor dela, o que gerou um mal-estar político interno no Chile.

Na semana passada, Kast esteve em reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump, e governantes de direita alinhados na América Latina, no evento “Escudo das Américas”, em que discutiram aproximação e combate ao crime organizado. Na ocasião, encontrou-se com Eduardo Bolsonaro e tirou fotos abraçado com o deputado cassado.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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