Trump obriga governadores a tergiversarem sobre o tarifaço
Governadores são convidados a participar de entrevistas e falar da situação do país diante da crise do tarifaço imposto por Trump. Na maioria dos casos, os jornalistas querem saber como o Brasil deveria agir para contornar essa situação delicada. As respostas se concentram exclusivamente na taxa de 50% aplicada inicialmente sobre todos os produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos. Posteriormente, alguns itens foram retirados da lista, como suco de laranja, aviões civis e suas peças, combustíveis e outros. Cerca de 700 produtos no total.
Trump não quer negociar só as tarifas
Quase sempre, a argumentação dos entrevistados é evasiva, sem tocar diretamente no cerne da questão. Dizem que o governo brasileiro precisa encontrar algum meio de negociar, a exemplo do que já fez a maioria das nações.
Diante dessas sugestões, os jornalistas costumam retrucar, esclarecendo que nem o presidente americano nem seus assessores diretos abriram as portas para que o assunto seja discutido. Insistem no questionamento: se não há possibilidade de conversa, como o governo brasileiro deve agir?
Críticas de Lula abriram a crise
Quase todos afirmam que a situação chegou ao estágio atual por causa do comportamento do presidente Lula, que há muito tempo vem criticando o chefe do Executivo dos Estados Unidos, em alguns casos com palavras que beiram ao confronto. São muitos os exemplos desses ataques.
Durante a campanha presidencial americana, Lula defendeu abertamente a candidata democrata, Kamala Harris, e chegou a dizer: “Agora temos o ódio destilado todo santo dia, as mentiras, não apenas nos Estados Unidos, na Europa, na América Latina, vários países do mundo. É o fascismo e o nazismo voltando a funcionar com outra cara.”
O verdadeiro motivo não é mencionado
E não parou por aí. Depois das eleições americanas, Lula continuou a usar palavras ofensivas contra o republicano. Em certa ocasião, afirmou: “Não podemos deixar o presidente Trump esquecer que ele foi eleito para governar os EUA. Ele não foi eleito para ser o imperador do mundo.”
Assim, principalmente os governadores que pensam em se candidatar nas próximas eleições medem as suas palavras. O real motivo de uma das taxações mais elevadas entre todos os países costuma passar ao largo. Em nenhum momento mencionam o nome de Bolsonaro, que, segundo a carta enviada por Trump a Lula, publicada por toda a imprensa, teria sido o primeiro motivo declarado pelo presidente americano.
A carta de Trump
Na mensagem, Trump afirmou: “A forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante o seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar ocorrendo. É uma caça às bruxas que deve acabar imediatamente.”
E por que essa exigência não é mencionada? Primeiro, porque, como são candidatos à Presidência, mesmo precisando do apoio do ex-presidente para vencer as eleições, não querem declarar publicamente que ele estaria sendo injustiçado e que deveria ser absolvido para concorrer ao pleito de 2026.
Perguntas difíceis de serem respondidas
Depois, há indícios de cautela ao criticar decisões do STF. Muitos observam que, em ocasiões anteriores, autoridades que confrontaram abertamente ministros da Suprema Corte enfrentaram repercussões políticas e jurídicas. Por isso, para evitar que o tema tome esse rumo, evitam abordar diretamente o ponto central.
Além dessas questões, são arguidos também a respeito da atuação do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro. Querem saber o que acham do fato de um brasileiro estar nos Estados Unidos criticando e, na visão de críticos, prejudicando o próprio país. Esse é mais um ponto delicado. Se disserem que não concordam com o filho do ex-presidente, poderão ter o nome riscado da lista de apoio de Bolsonaro.
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Palavras vazias, mas veementes
Se, ao contrário, afirmarem que ele está certo, poderão ser rotulados por críticos como “traidores da pátria”. O máximo que conseguem externar é um comentário vago: “Ah, cada um deve ter o direito de fazer o que desejar. Cada um é responsável por seus atos”. E quanto mais vazio é o discurso, mais veemente é o tom.
A posição deles é complicada. Precisam medir bem as opiniões para não se prejudicarem nem com um lado nem com o outro. O problema é que essas tergiversações começam a ser percebidas pelos eleitores, que desejam escolher um presidente com opiniões firmes, que efetivamente os representem. Quem parecer ser mais verdadeiro em suas explicações talvez tenha mais chance de conquistar o voto. Não é fácil. Vão precisar de muito jogo de cintura. Siga pelo Instagram: @polito.
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