Na bolsa, 2020 foi o ano dos IPOs, mas 2021 promete ser ainda mais

Com a Selic a 2% ao ano, muitas empresas lançaram ações na bolsa, mesmo durante a pandemia; BC sinaliza que a taxa deve continuar igual, o que deve fazer a migração de investidores para a bolsa continuar

  • Por Samy Dana
  • 01/01/2021 09h00 - Atualizado em 02/01/2021 05h26
PixabayA bolsa de valores brasileira fechou 2020 com valorização de 2,92%

Dois mil e vinte foi o ano em que a bolsa de valores chegou a cair quase 40% e ainda voltou para o campo positivo. Nesta segunda, a alta nos 12 meses foi a 3%. E também foi o ano dos IPOs. Em quantidade de empresas, uma onda de oferta de ações como não se via desde 2007. Treze anos atrás, em 2007, foram 64, um recorde até hoje. Este ano foram menos, 28. Mas muito acima dos números de 2019, quando foram apenas 5. Além disso, os IPOs de 2020 também movimentaram um valor histórico, de R$ 117 bilhões, que também supera 2019 e só fica atrás dos R$ 127,7 bilhões de 2011.

IPOs – Valores

  • 2020    R$ 117 bilhões
  • 2019    R$ 53,7 bilhões
  • 2011    R$ 127,7 bilhões

Só que, naquele ano, R$ 120 bilhões corresponderam a uma única operação, a mega oferta da Petrobras, realizada para financiar as operações do pré-sal. Considerados apenas os anos em que as ofertas de ações foram normais, 2020 assume a dianteira. O maior maior destaque entre foi o IPO da Rede D’Or de hospitais, que levantou mais de R$ 11 bilhões. A terceira maior oferta primária de ações da história da B3. O segundo maior IPO do ano, do Grupo Mateus, rede supermercadista  das regiões Norte e Nordeste, levantou R$ 4,6 bilhões. O terceiro, da empresa Hidrovias do Brasil, atingiu R$ 3,4 bilhões. E o da Petz, rede de lojas de cuidado animal, R$ 3,03 bilhões.

Destaques

  • Rede D’Or            R$ 11 bilhões
  • Grupo Mateus       R$ 4,6 bilhões
  • Hidrovias              R$ 3,4 bilhões
  • Petz                      R$ 3,03 bilhões

Não para em dois mil e vinte. A expectativa entre analistas é de que o movimento continue em 2021, com alguns IPOs muito esperados. Kalunga e Havan estão entre as empresas que devem entrar para a bolsa. Mas nada deve superar a oferta da Caixa Seguradora, braço de seguros da Caixa Econômica Federal, que tem a expectativa de movimentar R$ 50 bilhões. Algumas razões explicam tantas empresas lançando ações na bolsa mesmo durante a pandemia do novo coronavírus. A principal é a taxa Selic, a dos juros, a 2% ao ano. Em busca de maior rentabilidade, 1,5 milhão de pessoas físicas entraram na B3 em 2020. Mas também foi importante o movimento das empresas para buscar financiamento via emissão de ações, que é um dinheiro mais barato para investir na expansão do negócio. O Banco Central sinaliza que os juros ficam onde estão no ano que vem. O que deve fazer a migração de investidores para a bolsa continuar. E também a das empresas. É mais um sinal de um 2021 mais positivo. E, espera-se, também um ano mais previsível, porque 2020 abusou das surpresas.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.