Petróleo não dá refresco, quebra recorde de 7 anos e deve ir a US$ 100

Preço do barril do tipo Brent, que serve de referência para o Brasil, atingiu US$ 87,60 e, segundo o Goldman Sachs, caminha para os três dígitos

  • Por Samy Dana
  • 19/01/2022 08h00
Yahya Arhab/EPA/EFE - 17/01/2022 Um atendente bombeia combustível em um ônibus em um posto de gasolina em meio a uma grave escassez de combustível no Iêmen Tensão no Iêmen contribuiu para o recorde no preço do petróleo

No ano passado, a alta dos combustíveis foi um dos fatores que manteve a inflação em alta no Brasil. A gasolina e o diesel subiram quase 45% em reais (43,2% e 43%, respectivamente). E aumentaram acompanhando a cotação do petróleo, que, por sinal, tiveram uma alta de 49% em dólar. A política da Petrobras é de seguir os preços internacionais. Dois mil e vinte e dois já está aí, e o petróleo não tem dado refresco. Ontem, pela manhã, o preço do barril do tipo Brent, que serve de referência para o Brasil, atingiu US$ 87,60. É o maior valor desde outubro de 2014. Acabou fechando abaixo. Mas, no mês, já subiu 12% em dólar e caminha para os US$ 100, segundo o Goldman Sachs.

Para o banco americano, a demanda por petróleo segue firme no mundo, tende a crescer com a recuperação das economias e nem a variante Ômicron tem mudado esse cenário.. Nas outras ondas de casos de Covid-19, com medidas de isolamento, o preço do petróleo recuou diante da expectativa de que o consumo viria a cair. Hoje a demanda mundial tem crescido 3,5 milhões de barris por dia acima da oferta. Teriam que ser produzidos 3,5 milhões a mais para atender à procura. Só que a Opep, a Organização dos Países Produtores de Petróleo, se recusa a aumentar a produção, esperando que os preços subam mais.

Para esse recorde de alta de ontem, contribuiu ainda o ataque com drone de um grupo rebelde do Iêmen, alinhado ao Irã, aos Emirados Árabes Unidos, que faz parte de uma coalizão liderada pela Arábia Saudita. O atentado eleva as tensões locais, já que Irã e Arábia, grandes produtores, podem acabar envolvidos. Outro fator que tem pressionado as cotações é o conflito na Ucrânia. Com a Rússia, segunda maior produtora mundial, supostamente ameaçando invadir o país, e os Estados Unidos, produtor número um, dando apoio aos ucranianos, o risco de um ataque iminente traz muita incerteza às cotações. O resultado de tudo isso, segundo o Goldman Sachs, deve ser o preço do barril de petróleo chegar a US$ 100 no terceiro trimestre. Fecharia 2022 em US$ 95. Mas não teria escapatória no ano que vem, ficando acima dos US$ 100, acompanhando a alta da inflação nos países ricos.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.