Por que há mais jogadores de origem humilde? A economia pode explicar

Motivo é o custo de oportunidade, já que os mais pobres têm menos opções de trabalho, ou seja, menos a perder ao seguir tentando virar profissionais do que os jovens que vêm de famílias mais ricas

  • Por Samy Dana
  • 29/09/2021 14h53 - Atualizado em 29/09/2021 19h47
JORGE RODRIGUES/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDORonaldo Fenômeno, Romário, Cafú e Neymar estão entre os atletas com origem humilde que acabaram se tornando ídolos do futebol mundial

O custo de oportunidade é um dos conceitos da economia mais presentes no nosso dia a dia. Explica, por exemplo, por que vagas de estacionamento geralmente são poucas e caras: o dono do estacionamento busca ser compensado por alternativas mais rentáveis de negócio que poderia ter para o terreno. Além disso, esclarece até o que não parece ter relação com a economia, como por que há muito mais jogadores com origem humilde. Ronaldo Fenômeno, Romário, Cafú e Neymar estão entre os atletas com origem humilde que acabaram se tornando ídolos do futebol mundial. Já quando se trata de jogadores saídos da riqueza, ou mesmo de classe média, a lista é muito mais restrita. São poucos, como o ex-jogador Caio, hoje comentarista, ou Kaká, ídolo são-paulino, que tiveram uma vida mais abastada na infância e na adolescência.

Será que é por que os jovens de classe alta ou mesmo de classe média não gostariam de ser jogadores de futebol? Ou será que o motivo é que só os pobres têm talento? Nem uma resposta e nem outra. O motivo é justamente o custo de oportunidade. Geralmente, para virar jogador profissional, é preciso começar cedo. Aos sete, oito anos, as crianças já estão numa escolinha. Mesmo assim, é uma batalha difícil. Provavelmente, só 0,1% ou até menos entre os futuros jogadores acabam fazendo sucesso. Esta dificuldade faz com que, por volta dos 15 anos, a maioria dos jovens das classes média e alta acabem desistindo, já que é a época que geralmente eles começam a decidir qual carreira vão seguir no futuro e, para a imensa maioria, a chance é muito maior de entrar numa universidade do que de virar jogador.

Por isso, quem tem mais condições de se formar advogado, médico ou outra profissão de nível superior, segue esse caminho. Já para os mais pobres a opção é o inverso: se abandonar o futebol, provavelmente terá que ir atrás de um emprego. E, com poucas oportunidades de trabalho, tem muito menos a perder caso siga tentando virar jogador profissional do que o jovem que vem de uma família mais rica. O resultado é o que acabamos vendo, muito mais jogadores de origem humilde do que de uma origem abastada. Ou seja, a explicação pode parecer envolver só a questão de talento ou que os mais pobres estão acostumados a driblar os problemas da vida. Mas na verdade é questão de economia.

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