População precisa ficar atenta à reinfecção pela Covid-19; tempo conhecido de imunidade não vale para Ômicron

Relatos de médicos mostram que, após 30 dias, já há casos de reinfecção em todas as partes do mundo; medidas protetivas devem ser encorajadas para não baixarmos a guarda para o Sars-CoV-2

  • Por Sergio Cimerman
  • 03/02/2022 12h55
ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO Profissional da saúde realiza teste para Covid-19 Variante Ômicron do coronavírus é mais transmissível

A Covid-19 no Brasil já ultrapassa os 25 milhões de pessoas infectadas e mais de 600 mil que morreram desta enfermidade que insiste em nos castigar. Indubitavelmente, a vacinação tem ajudado, e isso se mostra evidente na queda do número de hospitalizações e de óbitos. Vivemos o período da variante Ômicron, muito mais transmissível, mas menos patogênica quando comparamos com a variante Gama e Delta que fizeram estragos. Claro que, com a vacinação avançando, a força do vírus vai se perdendo e, assim, entraremos em um período de calmaria. Gostaria de chamar a atenção da população que existe a questão da reinfecção, e a imunidade, que poderia ser entre quatro e seis meses no passado, não podemos inferir no caso da Ômicron.

Diversos relatos de médicos mostram que, após 30 dias, já temos casos de reinfecção em todas as partes do mundo e com literatura que começa a aparecer acerca disso. A população tem de compreender que as medidas protetivas devem ser encorajadas sempre e nunca baixarmos a guarda para o Sars-cov-2. Não podemos banalizar a situação atual da variante mencionando que é apenas uma “gripezinha”. Não é, e a atenção deve ser redobrada em idosos e pessoas com comorbidades, que podem evoluir para fases avançadas da doença. Observa-se com isso a prescrição de anticorpos monoclonais e antivirais aprovados pela Anvisa como um alicerce terapêutico interessante, melhorando a resposta desse grupo populacional frente à Covid-19.

 

Pena que só temos disponível na rede privada de hospitais, deixando o SUS descoberto neste momento. Deveria ser revista esta inclusão no rol de terapias para Covid-19 em situações claras e evidentes baseadas em critérios de eleição para administração destes fármacos. A gestão econômica é o fator impeditivo com toda a certeza, mas esforços deveriam existir neste momento também da pandemia. Insistir em um diagnóstico é extremamente adequado e acertado, bem como criar bolsões nas cidades com orientação de isolamento para a população. Estamos longe de viver este momento. Vejo que cada um joga no seu quadrado e, perdemos o sentido de saúde pública como alicerce.

Ainda pairam dúvidas sobre vacinação em crianças – outra falácia que deve ser combatida. A vacina é segura e tem papel fundamental em prevenir. Não é aceitável que passados dois anos de pandemia existam ainda negacionistas e anti-vacinas. Precisamos intensificar a campanha em todas as mídias. Chega de propagar inverdades. Ciência deve ser respeitada. Outro ponto que merece destaque é a questão do exame de antígeno para Covid-19. As pessoas insistem em fazer o teste precocemente para retorno às atividades laborais pensando na colocação do CDC dos 5 dias. A maioria dos exames irá ainda persistir positivamente. Em uma real necessidade, após sete dias e assintomático, poderia se pensar em fazer o teste do antígeno e em negativo retornar a tudo. Mas, na situação atual de falta de testes, ainda é fundamental manter os dez dias de isolamento – não sendo necessário refazer o exame. Não podemos retroceder para o início da pandemia.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.