A Rádio Mayrink Veiga marcou época, revelou talentos, mas fechou na ditadura
Talvez os mais jovens nunca tenham ouvido falar na Mayrink Veiga, mas a emissora carioca, inaugurada em 1926, entrou para a história do rádio brasileiro pela quantidade de talentos revelados, como Carmem Miranda, ainda nos anos 30. A emissora também era conhecida em São Paulo, pois a Rádio Record, de propriedade de Paulo Machado de Carvalho, mesmo dono da Jovem Pan, retransmitia para os paulistas programas da Mayrink.
Na Copa de 1950, o narrador da emissora carioca foi Oduvaldo Cozzi (1915-1978), um homem polivalente. Durante uma longa carreira, ele se transformou em uma espécie de “embaixador” informal do futebol do país e costumava chefiar as equipes das emissoras em que trabalhava. Apesar de ser natural de São Paulo, começou na Nacional do Rio. Ele marcou época na Mayrink Veiga, na Guanabara, na Continental e nos Diários Associados, tanto no rádio como na TV. Com uma voz cadenciada e um repertório invejável de palavras, Cozzi, chamado de “O Professor”, trabalhou em sete Mundiais: de 1950 a 1974, este último como comentarista.
A Mayrink foi fechada pela ditadura militar em 1965 e o acervo riquíssimo se perdeu no tempo, como as transmissões feitas na Copa de 1950. Entretanto, no filme “O Rei Pelé” (Carlos Hugo Christensen/1962), quando há uma cena de Dondinho, o pai do jogador, acompanhando o duelo entre Brasil e Uruguai pelo rádio, ouvimos a narração de Oduvaldo Cozzi. Não tem como saber se é o áudio original da Mayrink, em 1950, ou se o narrador fez a gravação especialmente para o longa-metragem. Mas, como se trata de um material histórico e na voz dele, fiz questão de transcrever o trecho para você que me acompanha na Jovem Pan:
“(…) Daqui a 90 minutos, poderemos ou não ser campeões do mundo. O maior público de todos os tempos gritando Brasil, Brasil, Brasil. Zero para o Brasil, zero para o Uruguai. Executou Máspoli pelo alto, entregou para o seu ponteiro canhoto. Cortou Augusto, deu de cabeça para trás. Abre para a Friaça na lateral, ajeita a pelota, prepara, aponta, gooool. (…) Prende a pelota, correu Bigode, correu Ghiggia. Ghiggia vai até o bico da grande área. Atira-se Bigode, falha Bigode. Ghiggia levou a melhor. Executou o centro agora, a esta altura Ghiggia. Executa pelo alto, vem Schiaffino, gol. Vinte minutos, gol de Schiaffino. (…) Bateu a Bigode, pela direita, correu, adiantou-se com o couro [bola]. Bateu agora pelo setor esquerdo, aproxima-se do bico da área, vai se aprofundando mais. Aponta, atira, gol [de Ghiggia] (…) .”
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A equipe de esportes da Mayrink ainda contava com Everardo Lopes e Lourival Pereira. Abaixo, ouça a gravação histórica de Oduvaldo Cozzi:
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