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Thiago Uberreich

Derrota brasileira para o Uruguai, há 76 anos, foi trailer do Maracanazo

O duelo, válido pela Copa Rio Branco, mostrou que a Celeste não era uma seleção qualquer

Thiago Uberreich

O jogador Alcides Ghiggia, do Uruguai, comemora após marcar gol durante a partida contra o Brasil, na final da Copa do Mundo de 1950
Copa do Mundo de 1950 ASSOCIATED PRESS

Em 1999, estava em Niterói, no Rio de Janeiro, na casa de um dos maiores craques da história do futebol brasileiro: Zizinho. Eu fazia meu trabalho de conclusão de curso da faculdade. Era um documentário sobre a Copa de 1950, perdida pela seleção brasileira em pleno Maracanã. O ex-jogador, grande nome daquela seleção, explicava os motivos da derrota: “Nem o Brasil era um time imbatível e nem o Uruguai era uma equipe fraca”. 

A seleção nacional, comandada por Flávio Costa, enfrentou os uruguaios no duelo decisivo do mundial, em 16 de julho de 1950, depois de duas goleadas impiedosas: 7 a 1, na Suécia, e 6 a 1, na Espanha. O clima de “já ganhou” tomou conta da torcida que apostava em um novo placar elástico, agora contra a Celeste Olímpica. Entretanto, o desfecho foi outro: derrota por 2 a 1. 

Pouca gente sabe, mas Brasil e Uruguai se enfrentaram no dia 6 de maio daquele ano de 1950, no Pacaembu, em partida válida pela Taça Rio Branco. O confronto, vencido pelo adversário por 4 a 3,  mostra que o rival era um velho conhecido da seleção nacional e a derrota na partida decisiva da Copa não foi surpresa nenhuma. 

“Do fracasso da defesa, veio a debacle dos nossos”, destacou o Jornal dos Sports em manchete. A reportagem dizia o seguinte: “Brilhante vitória marcou o futebol uruguaio na tarde de hoje no gramado do Pacaembu. Enfrentando a representação nacional, em nova disputa da taça ‘Rio Branco’, a seleção da AUF assinalou merecido e justo triunfo pela contagem  de 4×3. Foi um acontecimento de vulto para a ‘association’ oriental, não somente por servir de reabilitação do insucesso ante os paraguaios, como também pela circunstância de ter sido assinalado em terreno adversário sobre o campeão sul-americano.” 

Abaixo, as fichas com as escalações das duas partidas para serem comparadas: 

BRASIL 3×4 URUGUAI – 06.05.1950 – Pacaembu – 06.05.1950
Brasil: Barbosa; Nílton Santos e Mauro Ramos Oliveira; Ely, Rui e Noronha; Tesourinha, Zizinho, Ademir, Jair e Chico.
Técnico: Flávio Costa.
Uruguai: Máspoli; Matías González e Vilches; Juan Carlos Gonzalez e Obdulio Varela e Rodriguez Andrade (Gambetta); Britos (Ghiggia), Julio Perez, Miguez, Schiaffino e Villamide.
Técnico: Juan López.
Árbitro: Cecil Barrick (Inglaterra).
Gols: Zizinho (1), Julio Perez (22) , Schiaffino (27), Miguez (28) e Ademir (30) no primeiro tempo; Schiaffino (4) e Ademir (17) na etapa final.

URUGUAI 2 × 1 BRASIL – Maracanã – 16.07.1950
Brasil: Barbosa; Augusto e Juvenal; Bauer, Danilo e Bigode; Friaça, Zizinho, Ademir, Jair e Chico.
Técnico: Flávio Costa.
Uruguai: Máspoli; Matías González e Tejera; Gambetta, Obdulio Varela e Rodríguez Andrade; Ghiggia, Julio Pérez, Miguez, Schiaffino e Morán.
Árbitro: George Reader (Inglaterra).
Técnico: Juan López.
Gols: Friaça (2), Schiaffino (21) e Ghiggia (34) no segundo tempo.
Pagantes: 173.000.

Apesar da derrota brasileira no Pacaembu, a seleção ficou com o título da Copa Rio Branco ao vencer os dois jogos seguintes em São Januário, no Rio de Janeiro: 3×2 e 1×0. De qualquer forma, os placares mostram que o Uruguai não era uma seleção qualquer: tinha raça, brio e grandes atletas. 

Abaixo, a íntegra do duelo válido pela Copa de 1950. A transmissão é da Rádio Nacional do Rio de Janeiro nas vozes de Jorge Curi e Antônio Cordeiro.