Delegado que indiciou Bolsonaro vai trabalhar no gabinete de Moraes
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, nomeou, na segunda-feira (9), o delegado da Polícia Federal Fábio Alvarez Shor como assessor do gabinete de Alexandre de Moraes.
Shor foi um dos responsáveis pelas investigações que culminaram na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de aliados pela tentativa de golpe de Estado. Especialista em contrainteligência, o policial se tornou alvo frequente de ameaças e ataques de bolsonaristas.
Além da investigação sobre a tentativa de golpe, o delegado também foi responsável pelos pedidos de indiciamento do ex-presidente no caso das joias sauditas – no qual a PGR pediu o arquivamento na semana passada – e na suposta fraude no cartão de vacina, processo arquivado por Moraes.
Moraes solicitou no início do mês a transferência de Shor da PF para o seu gabinete. A confirmação dependia apenas o trâmite burocrático entre as duas instituições. O delegado foi escolhido por causa da sua atuação em inquéritos relatados por Moraes, o que os aproximou profissionalmente.
Ataques
Em live publicada no dia 20 de julho de 2025, Eduardo Bolsonaro insinuou que Shor poderia ser alvo de sanções dos Estados Unidos e perder o visto por causa das investigações que conduzia. O delegado pediu o indiciamento de Bolsonaro por liderar a organização criminosa que planejou o golpe.
“Você da Polícia Federal que está me vendo, um forte abraço. Você também, olha lá, a depender de quem for, já está sem visto, né. Isso é outra coisa que a gente tem falar. Vou ter que baixar a imagem do Fábio Shor”, disse.
Shor também foi constantemente criticado por advogados que atuaram no julgamento do golpe de Estado, especialmente Jeffrey Chiquini com quem Moraes protagonizou diversos embates durante a fase de instrução das ações penais.
Chiquini acusou Shor diversas vezes de ter produzido um relatório com informações falsas sobre o ex-assessor da Presidência Filipe Martins.
*com informações do Estadão Conteúdo
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