Azedo: ‘Lula se tornou um protagonista tóxico da política brasileira’

Ex-presidente Lula afirmou que ‘não vai enganar o povo de novo’ ao comentar possível criação de frente ampla; comentaristas do 3 em 1 repercutiram fala

  • Por Jovem Pan
  • 09/10/2020 18h32
EFELula se mostra reticente à criação de uma frente ampla contra presidente Bolsonaro

Ao falar em “frente ampla” na política durante entrevista nesta quinta-feira, 8, o ex-presidente Lula afirmou que não vai “enganar o povo” de novo. “Eu já vivi demais, eu já tenho experiências demais, e eu não vou enganar o povo mais uma vez”, disse. Os comentaristas do programa 3 em 1, da Jovem Pan, analisaram nesta sexta a fala do petista. Acreditando que Lula cometeu um “ato falho”, o comentarista convidado Luiz Carlos Azedo afirmou que a mensagem passada por Lula traduz que ele não tem intenção de fazer o Partido dos Trabalhadores (PT) protagonizar as próximas eleições.

“Ele é contra a frente ampla porque as outras forças, como já dito aqui, não se dispõem a apoiá-lo. E ele também não se dispõe a retirar a candidatura dele para apoiar outro aliado. O cálculo do Lula é de que o PT vai para o segundo turno contra o Bolsonaro e o cálculo do Bolsonaro é de que isso é muito bom porque o PT já é freguês”, pontua Azevedo. Para Thaís Oyama, a aversão de Lula ao conceito de “frente ampla” é prejudicial para o próprio PT e já é refletida nas eleições municipais.

“Fica muito claro que o ex-presidente Lula não se conforma com a perda de protagonismo que o PT vem sofrendo ao longo dos últimos anos por mérito do próprio PT. Quem está aí fazendo as vezes da esquerda é o Boulos, que era traço na eleição passada”, explica Oyama, lembrando que o candidato do partido à prefeitura de São Paulo, Jilmar Tatto, é um dos últimos colocados nas intenções de voto. “A construção da frase não contribuiu para o Lula, mas também não escondeu que o que ele está querendo dizer é a mesma coisa que ele está querendo dizer faz tempo: a oposição é o PT e o PT é o Lula”.

Josias de Souza, por sua vez, lembrou que o ex-presidente condicionou a criação de uma frente ampla contra Bolsonaro ao objetivo comum de “reforma tributária para fazer com que os ricos paguem mais imposto” entre os partidos participantes e questionou por que ele não fez essa reforma quando estava no poder. “Quem ouve o Lula falando desse jeito fica tentado a perguntar: onde estava o líder petista quando a sua pupila Dilma Rousseff promoveu a recessão cavalar que mastigou milhões de empregos suprimindo o maior dos direitos do trabalhador, que é o direito à renda? O que fazia o lula nos 13 anos de poder petista que não articulou a aprovação dessa reforma tributária que seria ‘draconiana com os ricos, tributaria os mais ricos?”

Assista à íntegra do 3 em 1 desta sexta-feira, 9: