Bebianno diz que tem material contra Bolsonaro: ‘Não tenho medo dele’

  • Por Jovem Pan
  • 20/12/2019 17h56 - Atualizado em 20/12/2019 19h49
Jovem PanGustavo Bebianno, ex-ministro do governo Bolsonaro

O ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno, afirmou nesta sexta-feira (20) em entrevista ao programa 3 em 1, da Jovem Pan, que não tem medo do presidente e que possui material que pode comprometê-lo.

“Se o presidente acha que eu tenho medo dele, ele está enganado. Eu sou tão ou mais homem que ele. Tenho um material [sobre Bolsonaro], sim, e fora do Brasil. Tenho muita coisa e não tenho medo. Uma vez o presidente disse que eu voltaria para minhas origens, mas minha origem é muito boa”, afirmou Bebianno.

Ele também disse que se sente vulnerável e “sob risco constante”. “O presidente é uma pessoa que tem muitos laços com policias bons e ruins do Rio de Janeiro. Me sinto vulnerável e sob risco constante”, declarou.

Bebianno revelou também que, ao longo da campanha, o presidente Jair Bolsonaro tinha o costume de sacar dinheiro de caixas eletrônicos semanalmente, porém não revelou valores.

“Sim, é verdade. É uma rotina, sim. Não ficava prestando a atenção em valores. Mas ele ficava com o cartão do banco fazendo saques. Acontecia toda a semana, era comum, achei que fosse um hábito dele. Era uma coisa comum que acontecia sempre”, revelou.

O ex-ministro também voltou a comentar a declaração de Bolsonaro à revista Veja de que suspeita que pessoas próximas dele participaram do atentado que ele sofreu em setembro. O site O Antagonista publicou que Jair Bolsonaro aparentemente se referiu a Bebianno.

“É uma acusação que não merece muito da minha atenção, é de um grau de loucura absoluta, uma coisa estapafúrdia. Fico entre o que o Delegado Waldir falou quando o chamou de ‘vagabundo’ ou é um atestado de loucura, assim, incomparável. A perplexidade fica em primeiro lugar. Me preocupa muito o Brasil estar entregue a uma pessoa tão desequilibrada. Tenho conversado com juristas amigos que compartilham da mesma opinião, vou processá-lo na esfera civil e criminal, além disso vamos mover um processo de interdição também. Ele não condições de governar o Brasil.”, afirmou.

Ainda nesta sexta, Bebianno já havia afirmado que pediria a interdição do presidente. O ex-ministro e ex-braço direito de Bolsonaro, no entanto, elogiou o ministro Paulo Guedes e seu trabalho à frente da pasta da Economia. Ele chamou a gestão de Guedes de “governo paralelo”. “Ele [Paulo Guedes] sim trabalha e se dedica ao Brasil. O Brasil está no caminho certo sob o ponto de vista econômico. Enquanto ministro Paulo Guedes trabalha, Jair Bolsonaro atrapalha”, disse.

Bebianno também informou que uma pessoa próxima ao presidente tentou sequestrar o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, enquanto ele deixava um restaurante em São Paulo. O ex-ministro, no entanto, não revelou a identidade do suposto sequestrador.

“O presidente parece que escolhe a dedo pessoas perigosas. Há uma pessoa muito próxima a ele que recentemente tentou sequestrar um jornalista do O Globo. Pegou o jornalista Lauro Jardim na saída de um restaurante em São Paulo e tentou enfiar o Lauro Jardim dentro de um automóvel, uma coisa meio forçada. O Lauro ficou muito nervoso, muito preocupado”, disse

As investigações contra Flávio Bolsonaro 

Bebbiano evitou comentar se as investigações contra o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) podem contaminar o governo, mas declarou que considera “estranho” um suposto empréstimo de R$ 40 mil feito por Bolsonaro ao ex-assessor de seu filho “01”, Fabrício Queiroz.

“O presidente Bolsonaro é muito pão-duro, não comprava nem cachorro-quente durante a campanha. Se o Queiroz movimentava tanto dinheiro, negociava automóvel, era um cara que sabia fazer dinheiro, como ele mesmo disse, é estranho que precisasse de empréstimo de R$ 40 mil”, disse.

No entendimento de Bebbiano, as declarações do presidente são “cortinas de fumaça” para desviar o foco das investigações que pesam contra Flávio, investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) por um suposto esquema de “rachadinha” durante seu mandato como deputado estadual no Rio.

“Hoje ele acusa o Witzel [governador do Rio, Wilson Witzel] de capitanear uma perseguição contra o Flávio. Essas investigações já existiam ao longo da campanha. Eu prefiro não tecer maiores detalhes por ora. É evidente o mar de lama que o Flávio está metido. O presidente tenta usar essa declaração como uma cortina de fumaça para desviar a atenção da investigação sobre o filho dele”. declarou.

Ainda segundo o advogado e ex-ministro do governo Bolsonaro, pessoas próximas ao presidente têm manifestado apoio a ele diante das declarações de Bolsonaro. “Não posso mencionar nomes, mas converso com muitas pessoas que se solidarizaram comigo. Elas falam e depositam apoio, muitas delas estão lá, dentro do gabinete dele [Bolsonaro]. É um caso de insanidade mental gravíssimo, vou trabalhar pela interdição dele”, declarou.