Constantino diz que Bolsonaro ‘sinalizou flerte perigoso com o populismo’ ao mudar presidente da Petrobras

Declaração foi feita durante participação do comentarista no programa 3 em 1 desta segunda-feira, 22; Constantino também alertou para dificuldade do governo em atrair novos investidores após movimentação

  • Por Jovem Pan
  • 22/02/2021 18h00 - Atualizado em 23/02/2021 09h50
Jovem Pan Comentarista criticou a mudança no comando da Petrobras

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) retomou os ataques à Petrobras nesta segunda-feira, 22, e voltou a afirmar que não há interferência na estatal, apesar de ele ter determinado a saída do atual presidente, Roberto Castello Branco, e indicar o general Joaquim Silva e Luna, atual diretor-geral da Itaipu Binacional, para o cargo. “Falam em interferência minha. Baixou o preço do combustível? Foi anunciado 15% no diesel, 10% na gasolina. Baixou o porcentual? Não está valendo o mesmo porcentual? Como que houve interferência? O que eu quero da Petrobras, exijo, é transparência e previsibilidade”, afirmou o presidente, que também criticou o mercado internacional e afirmou ter o direito de não reconduzir Castello Branco no controle da estatal. “O petróleo é nosso ou é de um pequeno grupo no Brasil? Ninguém vai interferir na política de preços da Petrobras. Dia 20 de março encerra o prazo da vigência do atual presidente. É direito meu reconduzi-lo ou não. Ele não será reconduzido. Qual o problema? É sinal de que alguns do mercado financeiro estão muito felizes com a política que só tem um viés na Petrobras, atender aos interesses próprios de alguns grupos do Brasil, nada mais além disso”, concluiu.

Durante sua participação no programa 3 em 1, da Jovem Pan, nesta segunda-feira, 22, o comentarista Rodrigo Constantino disse não entender os motivos da mudança no comando da estatal, afirmando que Bolsonaro poderia estar indo para o caminho do “nacional populismo”. “Não precisava (mudar), muito menos da forma e da maneira que ele fez. O que ele sinalizou foi um flerte perigoso com o populismo. Há uma pressão muito grande por certos grupos que ele mesmo ajudou a alimentar quando era oposição, e alguns começam a questionar se ele não está indo demais na direção do nacional populismo. No mercado, a pergunta predominante é: ‘Dilmou ou não?’. E ele vai ter que responder isso com o tempo”, disse Constantino, que também destacou que a ação do presidente não é uma interferência, mas que poderia ter sido feita de outra forma: “Ainda não é uma intervenção. O presidente está dentro do direito dele, da prerrogativa dele. Agora, se não for pra mexer na política de preços da empresa, qual é o sentido de fazer dessa maneira e criar esse barulho?”.

Além disso, o comentarista também apontou que a movimentação na Petrobras assusta investidores e pode complicar a tarefa da gestão de Bolsonaro de conseguir atrair mais dinheiro para o Brasil, uma vez que a classe estaria perdendo confiança no país. “Uma vez que você consegue destruir a confiança do mercado, é muito difícil reconquistá-la. O problema que surge para os investidores é: qual o motivo e por que o ‘timing’ da troca? Se for para o general não mexer na essência do que vinha fazendo na gestão técnica do Castello Branco, qual é o sentido? É joga para a plateia? É acalmar uma base de apoio? Isso tem um custo muito alto. Investidores estrangeiros começam a colocar no radar que o país não é muito sério e confiável e desistem de investimentos”, explicou Constantino, que finalizou, defendendo a privatização da empresa. “Única solução estrutural para esse problema que estamos vendo é a privatização”.

Confira a íntegra da edição do programa 3 em 1 desta segunda-feira, 22: