Constantino: Se demitir Ernesto Araújo, Brasil estará próximo de ‘virar província chinesa’

Suposta chantagem do governo chinês pedindo demissão de Ernesto Araújo em troca de material para desenvolver vacina contra Covid-19 foi tema de debate no ‘3 em 1’

  • Por Jovem Pan
  • 21/01/2021 18h29 - Atualizado em 21/01/2021 19h05
EFE/Joédson AlvesO chanceler do governo Bolsonaro, Ernesto Araújo

Os constantes ataques do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, ao governo chinês teriam desagradado os asiáticos, que solicitaram por meio da embaixada em Brasília demissão do chanceler e uma sinalização positiva do presidente Jair Bolsonaro sobre a boa relação entre os dois países. Segundo reportagem da Gazeta do Povo, para agilizar o recebimento dos insumos necessários para produzir a vacina contra o novo coronavírus nacionalmente, o Governo Federal deve, além de considerar a demissão do ministro, adotar um tom mais amigável em relação à participação da chinesa Hawaei na 5G do país. As supostas solicitações do governo chinês em relação ao Brasil foram tema de debate entre comentaristas do programa “3 em 1”, da Jovem Pan, nesta quinta-feira, 21.

Para Rodrigo Constantino, a chantagem contra o Brasil, assim como contra outros países, é um modus operandi da China. “Ela disputa a hegemonia, o controle do mundo com os Estados Unidos e ela não mede muitos esforços para isso. Ela tenta comprar quem está à venda e quem não está à venda, ela tenta intimidar e usar moedas de troca dessa natureza”, afirma. Ele alerta que a reação de Jair Bolsonaro ao suposto pedido da da “cabeça de Ernesto Araújo” merece atenção. “O mundo ocidental está ciente cada vez mais de que a China é a grande ameaça geopolítica do século 21, porque, de novo, é muito agressiva nessas campanhas de intimidação. Se ele entrega a cabeça do chanceler dessa forma, ele sucumbiu. Entregou os dedos, não os anéis. Entregar de bandeja a cabeça do chanceler porque a China está pedindo? Para que fazer eleição no Brasil, então? Vira logo província chinesa”, finaliza.

Diogo Schelp acredita que política externa “inepta e ideológica” de Bolsonaro causou a morte de brasileiros pela Covid-19. Para ele, o país não precisaria se submeter às tentativas de chantagem da China se tivesse adotado uma postura pragmática desde o começo, sem precisar colocar “panos quentes” em polêmicas criadas ao longo do mandato. “Agora nós estamos sem vacina porque o governo Bolsonaro deu oportunidade para a China fazer chantagem com a gente. A gente precisa lembrar como veio essa oportunidade, lembrar da responsabilidade do deputado federal Eduardo Bolsonaro, que ficou fazendo tweets espezinhando o embaixador chinês e depois foi defendido por Ernesto Araújo”, lembra. Já Marc Sousa considera como inaceitável a possibilidade do Brasil se dobrar a chantagens chinesas e acredita que políticos sem noção de soberania terminam embarcando no “xadrez político” criado pelo país oriental, o que ele não encara como novidade. “A China é isso, uma ditadura violenta que não está preocupada com a vida de ninguém. Negocia a vacina em troca de benefícios que considera importantes aqui ou acolá”, opina. O comentarista também lembra da reunião entre o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e o embaixador no Brasil, Yang Wanming, e afirma que o pedido de desculpas feito por Maia em nome de atos de parlamentares brasileiros é ilegal. “Você pode não gostar do que aquele ou outro parlamentar fala, mas você não pode tirar-lhe o direito constitucional de liberdade de expressão”, pontua.

Confira o programa “3 em 1” desta quinta-feira, 21, na íntegra: