Constantino: uso de palavra ‘genocídio’ para falar de Bolsonaro denuncia politicagem em torno da Covid-19

Conversa do ministro Eduardo Pazuello com senadores e forma como oposição trata crise do coronavírus no Brasil foram temas de comentários no programa ‘3 em 1’

  • Por Jovem Pan
  • 12/02/2021 18h13 - Atualizado em 12/02/2021 19h11
LUIZ GOMES/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDImagem do presidente não deve ser atrelada ao termo 'genocídio', defende Constantino

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou em conversas com senadores na quinta-feira, 11, que gestores locais e o relatório da Força Nacional do Sistema Único de Saúde de 8 de janeiro não indicaram falta de oxigênio em Manaus, e sim falta de rede de oxigênio no começo de 2021. Na ocasião, o sistema de saúde da cidade colapsou e pessoas contaminadas com a Covid-19 morreram sem conseguir respirar. Cobrado por explicações, o ministro afirmou que em nenhum momento, no documento do dia 8 de janeiro, “falta de oxigênio” foi citada. “Rede de gases são os tubos de gases e não o oxigênio que vai dentro. Pressurização entre município e estado é regulação entre um e outro”, afirmou. Nesta sexta, o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas criticou a fala do ministro sobre a possibilidade de vacinar todos os cidadãos elegíveis até o fim de 2021. Ele afirmou que faltou ao ministro detalhar o que o governo considera como “população elegível”. As divisões de responsabilidade entre os estados e o governo federal foram tema de debate entre os comentaristas do programa “3 em 1”, da Jovem Pan, nesta sexta-feira, 12.

Rodrigo Constantino afirmou que o ministro se prendeu a uma questão semântica e secundária e lembrou que dificilmente casos como o ocorrido em Manaus no mês de janeiro têm só um responsável. “Acho que houve, talvez, uma percepção de que não era a mesma urgência e que não faltava oxigênio por parte do ministro e da sua equipe”, opinou. Ele lembrou que a estrutura hospitalar da cidade é precária e garantiu que extrapolar a situação de Manaus para retratar uma realidade do resto do país é inadmissível e uma tática usada pela oposição para desgastar o presidente Jair Bolsonaro. “Como é que fica evidente que há uma tentativa de exploração política ou até politiqueira por parte da oposição? O uso da palavra genocídio. Quando alguém fala em genocídio, é uma banalização tão brutal, um negócio que remete ao holocausto, holodomor. Genocídio é uma palavra tão forte que já fica claro o intuito politiqueiro”, afirma. Ele lembra que outros países, inclusive a Europa, tiveram problemas no sistema de saúde. “Em Portugal, que é um país mais avançado, mais rico que o Brasil, em Lisboa, teve problema de falta de oxigênio nos hospitais. Será que isso é culpa do Pazuello? Será que isso é o presidente Bolsonaro como genocida fazendo com que a população de Portugal não tenha acesso ao oxigênio? Quando a gente percebe o nível em que vai o discurso dá até desânimo de debater a sério o que aconteceu em Manaus”, pontuou. Ele garantiu que o ritmo brasileiro de vacinação não está lento em relação ao resto do mundo. “Tem um problema mundial de escassez e o Brasil está fazendo dentro do ritmo o que muitos países estão conseguindo fazer também”, analisou.

Diogo Schelp afirmou que a defesa de Pazuello das acusações de negligência “faz parte do jogo”, mas pontuou que ele se prendeu a um detalhe de um documento mal escrito para tentar se esquivar de uma responsabilidade. “Um senador do Amazonas explica que não existe rede de oxigênio no estado. Ele tem que explicar o que o Ministério já deveria ter entendido naquele momento crítico, que é o fato de que o documento estava alertando para a falta de oxigênio”, criticou. Ele lembrou de que três dias antes do colapso na saúde o ministro foi para Manaus e reconheceu a crise de oxigênio, descrevendo em público um relato que teve com uma cunhada e pedindo paciência. “Eu não acredito que essa investigação ou esses questionamentos ao Pazuello sobre a questão do oxigênio no Amazonas vão dar em alguma coisa. O que me chama atenção é a facilidade com que o ministro diz coisas que simplesmente não correspondem aos fatos. Ele diz que o país vai vacinar metade da população até junho, mas no ritmo atual de um milhão de doses por semana, estamos falando aqui só da primeira dose, vão levar dois anos para vacinar metade da população”, estimou.

Marc de Sousa afirma que depoimentos como o fornecido pelo ministro no Senado são pouco efetivos e viram “guerras de torcidas”. Para ele, quem tem mais condições de apurar o que houve é a Polícia Federal, que já ouviu Pazuello no inquérito que investiga a responsabilidade pelo caos no estado. “Desde março nos vendem a ideia de que nós tínhamos que ficar todos guardados em casa, presos em casa, que isso seria temporário, enquanto os gestores públicos trabalhavam para fortalecer o serviço de saúde. Agora, vemos com clareza que fomos enganados. Fechou-se tudo, como consequência a economia ruiu”, pontuou. Para ele, que lembrou das investigações contra o governador do estado do Amazonas durante a pandemia, a corrupção é um dos indícios do caos na saúde estadual e a postura de Dimas Covas contra o ministro Pazuello é mais uma politização da vacina.

Confira o programa “3 em 1” desta sexta-feira, 12, na íntegra: