‘João Doria virou demagogo da pior espécie em eterna campanha eleitoral’, diz Constantino

Aumento das restrições no estado a partir do sábado, 6, foi anunciado pelo governador nesta quarta-feira e debatido por comentaristas do ‘3 em 1’

  • Por Jovem Pan
  • 03/03/2021 18h11
RENATO S. CERQUEIRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDONovas restrições no estado de SP foram anunciadas nesta quarta-feira

Em meio ao avanço do coronavírus no país, o governo de São Paulo anunciou nesta quarta-feira, 3, a volta à fase vermelha do Plano SP contra a Covid-19 em todo o estado a partir do sábado, 6. Até o dia 19 de março, apenas serviços essenciais poderão abrir. “A fase vermelha permite o funcionamento apenas de setores essenciais, como saúde, educação, segurança pública e privada; construção civil, indústria, logística e abastecimento, transporte coletivo, comunicação social e serviços gerais”, afirmou o governador João Doria. O governador aproveitou a coletiva de imprensa com o anúncio da fase vermelha para criticar o presidente Jair Bolsonaro, o chamando de “negacionista que despreza a vida”. Nesta terça-feira, o estado registrou o maior número de mortes por Covid-19 em 24h desde o início da pandemia, com 468 novos óbitos, ultrapassando as 60 mil vítimas fatais da doença. Na Grande SP, 76,7% dos leitos estão ocupados. O fortalecimento das medidas de segurança contra a Covid-19 no estado foi tema de debate entre comentaristas do programa “3 em 1”, da Jovem Pan, nesta quarta-feira, 3.

Rodrigo Constantino lembrou que o presidente Jair Bolsonaro sempre disse que as medidas restritivas precisavam ter equilíbrio em relação à economia e garantiu que a situação da lotação de UTIs no Brasil já era grave muito antes da pandemia, mas agora está atingindo elites. “É uma coisa espantosa, vai sacrificar a morte, sem falar da questão da liberdade de milhões de pessoas porque a elite está preocupada em ter uma vida parecida com a que os pobres trabalhadores sempre tiveram, de encontrar leitos com dificuldade”, afirmou. Ele lembrou da necessidade de reabrir hospitais de campanha, desmontados pelos governos estaduais, e criticou o governador João Doria. “O governador está interessado em palanque eleitoral. Esse pronunciamento é a coisa mais lamentável que já se viu, ele falou da casa do Flávio Bolsonaro, ele chama o presidente de novo de negacionista, que é uma expressão que denota o grau de sensacionalismo do João Doria… Ele não tem sequer lugar de fala, para usar uma expressão da turma da esquerda, que ele tem mais afinidade”, afirmou, garantindo que as medidas restritivas de Doria foram extremamente prejudiciais ao estado que tem o maior PIB do país. “O governador João Doria virou um demagogo da pior espécie em eterna campanha eleitoral e está ferrando com a população de São Paulo em nome disso”, pontuou.

Diogo Schelp apontou que um sinal do crescimento da contaminação no estado é a proporção de adultos jovens internados em hospitais. Hoje, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, pacientes de 30 a 50 anos, a maioria deles sem comorbidades, já compõem 60% dos leitos de UTI ocupados. “A verdade é que se há uma crítica a fazer aos governadores que estão impondo essas restrições mais duras, é o fato de terem esperado demais para fazer isso. Os especialistas que assessoram o governador João Doria defendem medidas ainda mais duras do que essa, mas o custo político é muito grande, tanto que Doria resolveu manter os templos religiosos abertos”, pontuou. O jornalista lembrou que hospitais têm fila de espera e que a proporção baixa de brasileiros vacinados mostra que o país não pode contar com a vacina no momento. Para ele, há relação direta entre a diminuição das medidas restritivas e o aumento das infecções e o que deve ser feito agora é respeitar ao máximo as medidas impostas para que a lotação dos leitos diminua.

Para Marc Sousa, a solução do país é “acabar com a hipocrisia” e não condicionar a repressão ao controle da transmissão do vírus no estado. “O jeito do governador de São Paulo e de vários governadores atuarem sempre é culpar o comércio. A impressão que se tem é que eles têm uma batata quente na mão, que é um problemão mesmo, não é fácil de responder, e que eles querem passar essa batata quente para alguém”, afirmou. Ele lembrou que uma pesquisa recente feita no brasil mostra que a “transmissão mais provável é intensa” ocorre hoje dentro do transporte coletivo e dos hospitais. “Esses decretos fecham bares e restaurantes, fecham o comércio, mas falam quase nada sobre o transporte coletivo, que é um dos eixos dessa contaminação”, opinou. Para o jornalista, as restrições intensas não são úteis e o lockdown só adia um problema. “O que é que funciona? É a conscientização. O uso da máscara, do álcool em gel, de praticar o distanciamento social. Tem que se investir mais em educação e conscientização do que em polícia na rua prendendo quem estiver na rua depois das oito da noite”, disse.

Confira o programa “3 em 1” desta quarta-feira, 3, na íntegra: