Paulo Figueiredo: invasões hackers no FBI e Nasa mostram que urna eletrônica não é infalível

Questionamento do presidente Jair Bolsonaro sobre segurança do voto por meio de urna eletrônica foi assunto do programa 3 em 1 desta segunda-feira

  • Por Jovem Pan
  • 30/11/2020 18h15
JONNE RORIZ/ESTADÃO CONTEÚDOBolsonaro voltou a criticar urnas eletrônicas após votar neste domingo

O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender o voto impresso e criticar urnas eletrônicas neste domingo, 29, após votar em Marcelo Crivella (Republicanos) para prefeito do Rio de Janeiro. Citando a ação de hackers no primeiro turno – que não afetou as urnas, já que elas não são conectadas à internet – ele foi enfático ao afirmar que “o voto impresso é uma necessidade, as reclamações são demais”. Em resposta, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, afirmou que nenhuma evidência sobre a qualidade da apuração de votos eletrônicos foi apresentada até o momento. O assunto foi tema de debate entre os comentaristas do programa 3 em 1, da Jovem Pan, nesta segunda-feira, 30.

Paulo Figueiredo Filho afirmou que o questionamento de Bolsonaro também é reproduzido por outras pessoas na sociedade e que o ato de duvidar das urnas é válido. “A gente tem uma urna eletrônica infalível? Como é que é isso? o FBI, o Pentágono, a Nasa, são todos hackeados de vez em quando, todos já foram hackeados, mas a urna eletrônica é o único sistema do mundo infalível?”, questionou. Segundo ele, apenas “uma elite burocrática” formada por poucas pessoas tem acesso à contagem de votos que dizem quem é o vencedor das eleições no país e lembrou de uma iniciativa popular que apresentou a lei do voto impresso, um sistema que combinava o voto eletrônico com voto em papel e possibilitaria auditagem em caso de dúvida, que foi derrubada pelo STF por invadir a privacidade do eleitor.

Josias de Souza lembrou que as urnas funcionam no Brasil há mais de duas décadas e disse acreditar que quando alguém faz uma acusação tão grave precisa apontar indícios que justifiquem uma investigação. Ele lembrou que o próprio ministro Barroso se colocou à disposição do presidente para que as supostas provas colhidas desde o mês de março fossem analisadas. “Ou ele mostra as evidências que ele diz possuir ou ele vai continuar soando como um personagem irresponsável à procura de uma disputa prévia para eventual insucesso que ele possa vir a ter nas urnas de 2022”, afirmou. Josias lembrou que o último político a desconfiar das eleições foi Aécio Neves, do PSDB, em 2014.

Na ocasião do questionamento do PSDB, nenhuma fraude foi encontrada pelos fiscais tucanos. “Ele diz que é um clamor popular por essa novidade. Eu não vi ainda nas ruas ninguém pegando em lança ali por voto impresso. O que há na rua hoje é gente desempregada à procura de emprego”, finalizou. Em resposta a Paulo Figueiredo, ele lembrou que urnas não foram hackeadas no Brasil e atentou que “os ouvintes não podem ser desinformados sobre o assunto”. Com problemas técnicos, a comentarista Thaís Oyama não conseguiu participar do debate sobre o assunto.

Confira o programa 3 em 1 desta segunda-feira, 30, na íntegra: