Rodrigo Constantino: países sacrificaram suas liberdades básicas em nome de uma paranoia

No ‘3 em 1’ desta segunda-feira, comentaristas discutiram vídeo postado por Bolsonaro em que presidente do TJ-MS defende volta ao trabalho presencial e critica ‘palhaçada midiática fúnebre’

  • Por Jovem Pan
  • 25/01/2021 18h23 - Atualizado em 26/01/2021 03h12
Giuseppe Lami/EFE - 19/03/2020A cidade de Roma deserta durante o começo da pandemia do coronavírus

Nesta segunda-feira, 25, o programa “3 em 1” discutiu as rígidas medidas de isolamento adotadas por alguns estados, sobretudo São Paulo. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) publicou em sua conta no Twitter um vídeo em que Carlos Eduardo Contar, novo presidente do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul (TJ-MS), defende o retorno ao trabalho presencial e chama de “palhaçada midiática fúnebre” as reportagens e ações que pedem para as pessoas ficarem em casa. “Voltemos nossas forças ao retorno ao trabalho. Deixemos de viver conduzidos como rebanho para o matadouro daqueles que veneram a morte, que propagandeiam o quanto pior melhor. Desprezemos, pois, o irresponsável, o covarde e picareta de ocasião, que afirma ‘fique em casa, não procure socorro médico com sintomas leves, não sobrecarreguem o sistema de saúde’. Paciência, senhores. Os tempos realmente são estranhos”, disse o desembargador. O comentarista Rodrigo Constantino disse que tende a concordar com Contar.

“Se pessoas do passado que lutaram muito pela sobrevivência da espécie pudessem entrar em uma máquina do tempo, ficariam um tanto chocados com a covardia da maioria. Acho que já passou da hora de voltarmos a trabalhar presencialmente e outras coisas, como abrir as escolas. A turma do ‘fique em casa e não procure ajuda médica até sintomas graves’ tem sangue nas mãos. No começo, era mais compreensível, não sabíamos a magnitude. O discurso era: ‘Vamos ganhar tempo, achatar a curva [de contágio], investir no sistema de saúde para que ele não chegue a colapsar e depois resgatar a normalidade’. Estamos há um ano nessa. Agora a grande esperança é a vacina, mas já tem gente falando, na Europa, que mesmo com a vacina, a gente tenha que conviver com a pandemia e com óbitos. E eu repito isso há muito tempo porque, infelizmente, gripe mata centenas de milhares de pessoas todos os anos. Temos que ser realistas. Eu vejo com preocupação que muitos países no Ocidente aceitaram sacrificar suas liberdades básicas, seus direitos essenciais, em nome de uma paranoia, de uma histeria. Não quer dizer que seja uma gripezinha, é óbvio que a pandemia é grave, em que pese não ser a pior da história. O que é sem precedentes é a reação a essa pandemia. Eu fui criado para entender que coragem é uma virtude”, disse Constantino.

O pensador conservador lembrou que Israel reduziu em 60% as internações de idosos. “Por outro lado, a vacina da AstraZeneca não é assim tão eficaz com idosos”, afirmou. “Foi tudo feito à toque de caixa, às pressas. Estamos aprendendo a lidar. Temos uma politização excessiva desde o início, defensores do tratamento precoce e aqueles que o demonizam. Se estamos cedendo a tantas coisas, era de se esperar que pudéssemos relaxar um pouco mais. O aspecto que me preocupa é que a primeira onda seria a preocupação com a saúde. A segunda onda seria a conta econômica. E eu já falava que uma terceira onda ia acabar aparecendo: a preocupação com a liberdade. Veja que aconteceram os eventos em Davos, e o [presidente da China] Xi Jinping foi um dos primeiros a se manifestar. E o que ele fez? Usou a pandemia, que começou na China, para misturar com aquecimento global, outra pauta que os globalistas adoram, para falar que o mundo precisa se unir em prol de soluções comuns. Isso é agenda globalista chinesa na veia. Isso seria o fim de nossas liberdades individuais como a conhecemos no Ocidente. Lutar é fundamental. Viver é arriscado. Viver como escravo não deveria ser uma opção no Ocidente”, completou Constantino.

Diogo Schelp disse que é “importante entender em ponto a gente está na pandemia”. O jornalista lembrou que estamos no auge da segunda onda e que ela poderá ser pior do que a primeira. “A curva da taxa de contaminação está parecida com a de maio do ano passado. No auge da primeira onda, no final de julho, o Brasil registrava média semanal de 46 mil novos casos diários. Agora, em janeiro, o pico chegou a 55 mi novos casos. Na primeira onda, o dia com maior número de novos óbitos foi 29 de julho, quando foram registrados 1.590 mortes pro Covid-19. No último 7 de janeiro, chegou-se perto dessa marca, com 1.520 óbitos. Se a gente compara as curvas de novos casos diários da Europa com o Brasil, vê que a Europa teve um platô, bem curto e baixo no início, depois um longo período com índices muito baixos de novos casos por vários meses. A partir de setembro, começou a segunda onda lá. No Brasil, foi oposto, a gente teve um platô longo e alto, depois uma queda suave, que durou apenas dois meses, e agora uma alta acentuada. A principal diferença entre o Brasil e a Europa é que a gente nunca teve um período longo de baixo contágio. Muitos especialistas atribuem isso ao fato de que estabelecemos medidas de distanciamento meia-bocas. Reino Unido e Israel estão combinando vacinação em massa com lockdown. Talvez Israel e Reino Unido estejam totalmente errados ou totalmente certos, isso vamos ver nas próximas semanas.” Marc Sousa acredita que o presidente do TJ-MS escolheu mal as palavras, mas as enxerga como um “puxão de orelhas”. Ele destacou que o Brasil foi o primeiro a fechar as escolas e será o último a abri-las.

Confira o programa “3 em 1” desta segunda-feira, 25, na íntegra: