Mas e a célula de sobrevivência? Entenda por que Hubert morreu em acidente na F2

  • Por Jovem Pan
  • 04/09/2019 17h12
ReproduçãoO carro de Antoine Hubert (à esq.) foi atingido em cheio pelo de Juan Manuel Correa (dir.)

Quase vinte e dois anos se passaram sem uma morte na Fórmula 1 desde que o carro de Ayrton Senna se chocou contra o muro da curva Tamburello, em Imola. O falecimento de Jules Bianchi em 2015 após um terrível acidente em Suzuka, porém, reacendeu o sinal de alerta no automobilismo mundial. Mais medidas de segurança foram tomadas, e até o polêmico halo, dispositivo que evita choques diretos contra a cabeça dos pilotos, foi instalado nos bólidos das principais categorias do planeta.

No último sábado, o carro de Antoine Hubert, piloto francês da Fórmula 2, contava não só com o Halo, como também com a famosa célula de sobrevivência – parte do carro em que ficam os pilotos e que tem a capacidade de absorver impactos de até 25 toneladas. Ainda assim, o jovem de 22 anos não resistiu ao grave acidente sofrido no GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps, e morreu.

Por que será que tanta tecnologia não foi suficiente para salvar a vida de Hubert? A explicação está na forma como o acidente aconteceu. O carro do francês estava de lado quando foi atingido pelo bólido de Juan Manuel Correa, que, por sua vez, locomovia-se a cerca de 250 km/h. A chamada “colisão em T”, quando um carro acerta em cheio, de frente, a lateral do outro, é a pior possível no automobilismo.

“A morte do Antoine Hubert foi uma fatalidade”, definiu Alex Ruffo, especialista em motorsport e comentarista do Grupo Jovem Pan. “Hoje, todos os carros são totalmente projetados para se desmanchar em um acidente. E a célula de sobrevivência, que é onde o piloto fica, mantém-se intacta depois de todo e qualquer tipo de impacto. Mas o Hubert sofreu um acidente na pior condição possível. Ele bate no muro, volta para a pista, e, depois, enchem a lateral dele”, acrescentou.

“Praticamente todo o carro se desmanchou. O problema, no entanto, é que a lateral do carro fica exatamente na célula de sobrevivência, que é rígida. Então, em uma batida lateral, com um carro a 270 km/h e o outro praticamente parado, a coluna cervical não aguenta. Não tem o quê segure. Mesmo que o piloto não tenha sofrido nenhuma lesão, ele quebra a coluna cervical e morre na hora. Depois, informam que a morte ocorreu a caminho do hospital, mas isso só é feito para que a corrida continue, como foi com o Senna e o Ratzenberger. O piloto morreu na hora”, finalizou.

Ao que tudo indica, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) irá se mexer para, nos próximos meses, desenvolver uma forma de minimizar os riscos das “colisões em T”. A criação de uma estrutura para proteger a lateral dos carros, como o halo faz com a cabeça dos pilotos, por exemplo, pode ser um caminho. Ao menos, a morte de Hubert deve deixar um legado para o automobilismo mundial.

Confira a explicação de Alex Ruffo no vídeo abaixo: