CEO da Petz conta como se reergueu após ver sua primeira empresa quebrar

Sergio Zimerman é convidado do ‘Conselho de CEO’ desta terça; empresa Petz, criada por ele após primeira experiência no empreendedorismo, é avaliada hoje em R$ 6,7 bilhões

  • Por Jovem Pan
  • 08/12/2020 17h34 - Atualizado em 19/01/2021 20h01
Monteiro Assessoria/DivulgaçãoZimerman é fundador e CEO da Petz

O programa Conselho de CEO, da Jovem Pan, desta terça-feira, 8, traz como entrevistado pelo jornalista de negócios do Jornal da Manhã, Carlos Sambrana, o CEO e fundador da Petz, Sergio Zimerman. O empreendedor foi dono de uma adega que virou rede de atacado com faturamento mensal de R$ 15 milhões, mas viu a empresa quebrar e retomou o sucesso no mundo dos negócios criando a empresa voltada para o segmento de animais de estimação. Ele conta um pouco da sua trajetória e fala sobre os desafios para conseguir abrir capital na bolsa de valores durante uma pandemia. Hoje, após tantos percalços, ele lidera a transformação digital da empresa avaliada em R$ 6,7 bilhões.

A capital da Petz foi aberta na bolsa de valores em setembro de 2020, mas era planejada desde o começo do ano, sofrendo o impacto da pandemia da Covid-19 no Brasil. “Sem dúvida nenhuma houve uma frustração, especialmente porque as conversas tanto com investidores aqui em São Paulo, no Rio de Janeiro, quanto as internacionais, estavam indo muito bem”, recorda. Durante uma gestão de crise, a empresa parou de pensar no IPO e articulou formas de se administrar cenário do país. “Com esse desafio pela frente de não saber sequer se as lojas estariam abertas ou não, nossa primeira providência foi ir ao sistema bancário e reforçar o caixa para três situações muito bem definidas”, lembrou. A primeira dessas situações foi manter o emprego dos funcionários mesmo que as portas de todas as lojas estivessem fechadas por três meses. “Eu não queria adicionar entre os colaboradores o pânico do desemprego”, afirmou.

Em segundo lugar, a empresa focou em manter a relação com os fornecedores, principalmente aqueles que tinham pequenos negócios. “Ao invés de solicitar prorrogação dos pagamentos, a gente ofereceu antecipação de pagamentos”, afirmou. Em terceiro lugar, eles focaram na manutenção da garantia da quantidade do plano de expansão de lojas físicas. “A gente sabia que a pandemia estava começando, mas sabia que um dia termina e a gente não queria perder as oportunidades de continuar fazendo as obras”, disse. Ao todo, o empréstimo feito pela empresa para lidar com a crise foi de R$ 210 milhões. O CEO lembrou da importância da omnicanalidade, que envolve a relação do cliente de forma digital com a marca, para o impulsionar as vendas. “É uma equação de valor muito forte, é o menor custo de servir o cliente com o maior nível de serviço possível. Isso dá uma equação de diferencial competitivo muito importante para a Petz”, analisou. Criar um market place está nos planos da empresa “A gente quer plugar todos os serviços que hoje nós não prestamos, por exemplo, hotel, day care, dog training, para que toda a necessidade que o tutor tenha com o seu pet, a Petz possa indicar a solução para isso”, garante. Agora, o CEO, que inaugurou 24 lojas em 2020, espera bater o recorde de aberturas anuais e foca em mais 30 e 40 lojas ao ano na próxima meia década.

Ele lembrou do momento em que a empresa que comandava quebrou e analisou o que a experiência trouxe para a vida dele. “Desde o primeiro instante que aconteceu isso eu procurei não focar nas perdas materiais ou nas questões jurídicas que envolvem esse processo e foquei absolutamente no aprendizado. Quando essas coisas acontecem é muito natural que a gente queira ir para a janela procurar culpados, só que isso te deixa mais confortável, mas você não evolui”, analisa, garantindo que procurou diferenciar a palavra “culpa” da palavra “responsabilidade” na hora de analisar o ocorrido. “Me senti absolutamente responsável por tudo que tinha acontecido, mas a culpa não cabia porque naquele momento que eu tinha tomado uma decisão eu estava tentando fazer o melhor com as informações que eu tinha. Se não deu certo, acontece”, pontuou.

Analisando os erros cometidos no comando de uma empresa que faliu, o empresário lembra de um em específico que marcou a vida dele. “Uma das coisas mais importantes foi que, nas reflexões, a gente via que o negócio não estava mais saudável e havia alguns conselhos para demitir pessoas para enxugar a empresa. A minha vida inteira de empreendedor eu sempre fui contra demitir que não fosse por problemas de competência e de confiança. Eu quis preservar empregos talvez de 100 pessoas ou 150 pessoas para não diminuir a empresa. Ao fazer isso, eu conduzi a empresa para ter que demitir as 600 pessoas. Isso fez eu ter um senso muito claro de que quando você precisa tomar atitudes você precisa olhar para a empresa e não olhar para se você demite 50, 100 ou 150, mas sim para quantos empregos você salva tomando a medida correta. Isso é uma lição muito clara na minha vida”, afirmou. Como conselho de CEO para aqueles que estão pensando em montar negócios, Zimerman lembra que “para qualquer varejo e para qualquer serviço, quando você pensar em montar alguma coisa tente responder a seguinte pergunta mentalmente: por que eu como consumidor compraria na sua loja ou usaria o seu serviço? Se você não tiver uma resposta absolutamente convincente para isso, a minha sugestão é que não gaste seu dinheiro montando porque dificilmente você terá êxito. Se você tiver uma boa resposta, invista no seu sonho, trabalhe firme e você pode ter bastante sucesso”, disse.

Confira o programa “Conselho de CEO” desta terça-feira, 8, na íntegra: