CEO da XP conta como construiu do zero um império de US$ 25 bilhões

Guilherme Benchimol participou do programa Conselho de CEO e falou sobre os desafios da corretora e o que a empresa prepara para o futuro

  • Por Jovem Pan
  • 22/09/2020 22h30 - Atualizado em 24/09/2020 12h12
Divulgação/XPGuilherme Benchimol construiu a XP Investimentos sozinho e hoje é um dos maiores empresários do país

O entrevistado desta terça-feira, 22, do programa Conselho de CEO, apresentado pelo jornalista e comentarista de negócios do Jornal da Manhã, Carlos Sambrana, é o fundador do grupo XP Inc., Guilherme Benchimol. Aos 44 anos, o carioca lidera uma das maiores empresas do Brasil e que vale mais de US$ 25 milhões na Nasdaq (mercado de ações automatizado norte-americano), mas nem sempre foi assim. Em 2001, ele fundou a XP Investimentos na cidade de Porto Alegre com apenas R$ 10 mil, e contou um pouco sobre os seus desafios.

“Eu trabalhava numa corretora carioca e fui demitido. Me lembro que duas semanas antes da demissão, eu falei pro meu pai que tinha boatos de corte de pessoal e ele me respondeu ‘Guilherme, fica tranquilo, bons executivos não são mandados embora’. Fiquei muito frustrado (depois da demissão) e quis fugir do Rio de Janeiro porque estava com vergonha do que tinha acontecido comigo. A ideia de empreender era para que eu tivesse controle sobre a minha vida e não sofresse a dor que eu senti quando fui demitido“, disse. “Comecei com R$ 10 mil no bolso, numa sala de 25 m². Não tinha apoio de nenhum fundo de investimento, nem mentor. Tive que aprender a me virar sozinho. Foram dois anos de vida muito difíceis, onde eu me lembro que, no fim de 2002, eu estava sentado na minha escrivaninha fazendo meu currículo porque estava quase quebrando, tive que vender meu carro. Então, eu diria que comecei como todo empreendedor comum no Brasil, mas depois que superamos essa fase inicial, a empresa foi crescendo. Óbvio que nunca em uma linha reta, mas você vai aprendendo a evoluir com os erros”, completou.

Dessa fase para o estopim da empresa, Guilherme afirma que houve um grande caminho. “Eu só senti que o projeto começou a ter robustez em 2010, quando o fundo britânico Act entrou como acionista nosso, porque teve um selo de qualidade de um investidor externo. Então ali foi quando eu senti que tinha ficado sério mesmo. Mas o gatilho foi em 2007, quando começamos a trabalhar como corretora. Foi um processo que começou naquele ano e segue evoluindo até hoje”, revelou.

Banco XP e Vila no interior de São Paulo

No fim de 2019, a XP Investimentos recebeu autorização do Banco Central para lançar um banco múltiplo, com carteira comercial e de investimentos. O BancoXP deve ter início em breve. Apesar de sempre ter questionado a atuação dos bancos, Guilherme não vê o projeto como uma divergência de discurso. “É fundamental que você tenha uma conta no banco, se não tiver conta, não vai ter cartão de crédito, conta corrente e etc., mas quando você investe no banco, vai ser com um investidor de banco que tem metas, que não necessariamente estarão alinhadas aos seus interesses. Normalmente, os bancos são mais fechados que as corretoras independentes. Então, o que atacávamos, no bom sentido, era esse conceito. Não obstante a isso, quase 2 milhões e meio de pessoas investem conosco e precisam ter uma conta no banco. A gente não oferece essa facilidade que você só consegue dentro do banco comercial. O que vamos entrar agora mantém tudo o que nos trouxe até aqui e inclui os serviços bancários que podem ajudar os clientes a ficarem mais próximos da gente e ter uma vida mais fácil”, explicou.

O CEO também informou que a empresa mudará sua sede, na capital de São Paulo, para o interior, na cidade de São Roque, num projeto de vida mais saudável para seus funcionários. “A Vila XP é uma sede nova, onde as pessoas não serão obrigadas a ir, como anteriormente. É um ponto de encontro para temas que entendemos serem importantes, como trocas de melhores práticas, falar de cultura, lançar projetos. Essa sede não terá a mesa tradicional, é uma sede inspiradora, integrada com a natureza, com muitas quadras de esportes e muitos ambientes, fica agradável você ir até lá. Vamos construir uma nova forma de trabalhar. É um formato onde as pessoas se sentem mais inspiradas e com mais liberdade”.

Como Conselho de CEO, Guilherme deixou a seguinte dica: “Controle muito bem o seu custo fixo, ele pode te matar em algum momento. É fundamental que você possa cuidar da cultura da sua empresa, é isso que faz diferença a longo prazo. Se você começar a contratar pessoas que geram resultado no curto prazo, mas não comungam desses valores, em algum momento terá confusões internas e não vai dar certo. Se mantenha humilde e bastante flexível, é importante que você tenha uma postura de capim – ele se adapta e nunca quebra – e não de bambu – planta firme e rígida, e jamais seja arrogante”, finalizou.