‘Podemos provocar o primeiro impeachment de ministro do STF da história’, diz Jorge Kajuru sobre pedido contra Moraes

Senador Jorge Kajuru (Cidadania) participou do programa ‘Direto ao Ponto’ desta segunda-feira, 15, e falou sobre o abaixo-assinado popular para apoio do pedido de impeachment do ministro

  • Por Jovem Pan
  • 15/03/2021 23h23 - Atualizado em 15/03/2021 23h30
Reprodução/ YoutubeO senador Jorge Kajuru foi o entrevistado desta segunda-feira, 15, no Direto Ao Ponto

No mesmo dia em que deu início a um abaixo-assinado junto ao jornalista Caio Copolla para ganhar apoio no pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, o senador Jorge Kajuru (Cidadania) participou do programa Direto ao Ponto, desta segunda-feira, 15, para contar um pouco sobre o processo que abriu contra o ministro do Superior Tribunal Federal. “Eu entrei com o pedido sozinho e tive a sorte de 15 dias atrás ser procurado pelo Caio e ele me ascendeu, disse ‘Vamos botar fogo no Brasil’ e disse que meu pedido era muito bem embasado e me falou sobre o abaixo-assinado. Começamos hoje e já temos quase 2 milhões de assinaturas”, contou.  “Agora a gente apresenta para o presidente do Senado, ele é obrigado a aceitar e manda para a advocacia do Senado federal, ela vai autorizar [eu já sei], ai nós vamos até o ministro Luiz Fux. Creio que não tem como dessa vez não colocar no plenário, que medo é esse de não colocar no plenário? Qual é o medo? Vamos enfrentar. Esse ser pra mim é desprezível e vulpino”, acrescentou.

Segundo Kajuru, o pedido foi movido pela sucessão de erros de Moraes desde que assumiu seu cargo no STF. “Desde o momento dele como secretário de segurança pública em São Paulo já era motivo de CPI. Depois ele virou ministro da justiça do Michel Temer, ali o governo Temer era um caldeirão de corrupção. De repente esse homem chega ao STF e foi cometendo erro um atrás do outro, especialmente o da arrogância que é um preço lamentável. Arrogância para mim é o maior defeito de uma pessoa. A pessoa não pode achar que é mais importante que o cargo. Os erros dele foram claros, factuais e foi fácil fazer o embasamento juridicamente para pedir o impeachment dele. A população brasileira pode provocar o primeiro impeachment da história do Brasil [no STF]”, declarou.

Questionado sobre o ministro do Supremo, Gilmar Mendes, ter chamado o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de genocida, Kajuru foi firme em dizer que o presidente não deveria se incomodar com isso. “A relação que o Gilmar Mendes no início ofereceu ao presidente, foi aquela covarde. ‘Eu vou mexer com a sua família’. Para mim o presidente não deveria ter medo disso e ir pra cima dele, concordar com o pedido de impeachment que será o nosso próximo. Isso aí virou um desrespeito total que acabou levando o presidente a cometer erros. O presidente não tem que entrar nessa de bateu/levou”, comentou.

Perguntado sobre as eleições para presidência de 2022, o senador afirmou que vê a vitória de Bolsonaro como certa. “Hoje não tem como discutir esse assunto. O presidente Bolsonaro vence a eleição, vai depender só a questão da vacinação, do auxilio emergencial, ele não concordar com o Paulo Guedes. Ele vai ter que peitar o Paulo Guedes, isso é fundamental para daqui para a frente”, disse. E reconheceu a fraqueza do possível adversário, Lula. “A mancha é muito forte, o PT antes tinha 30% sagradamente, hoje não tem”, concluiu.

CPI da Covid-19

Tentando emplacar a CPI da Covid-19 no Senado, Kajuru revelou o porquê não consegue andar com a pauta. “O governo não é favorável à CPI. Eu não posso garantir qual é o medo, mas existe um medo. Isso é a prova de que a CPI seria muito importante, feita sem revanchismo, com investigação profunda, tendo o senador Alessandro Vieira (Cidadania) a frente e tantos outros senadores competentes. A CPI poderia descobrir muita coisa errada em relação a Covid-19. Infelizmente está sendo segurada porque houve corrupção, não do presidente Bolsonaro (…), mas ele deve estar surpreso porque essa CPI chegaria onde ele não quer. Penso que a CPI vai ter essa dificuldade, por isso entramos com um mandado de segurança. É difícil conseguir, mas é o único jeito”, disse.

Questionado sobre de onde vem a corrupção, o senador foi claro. “O dinheiro dado pelo governo federal aos estados foi grande demais, já se confirmou um desvio de R$ 54 bilhões. Nós vimos gente roubando dinheiro da saúde como no estado do Rio de Janeiro, como em São Paulo. Imagina em municípios? Onde não há imprensa séria investigativa, onde não há tribunal de contra de município, compra sem licitação. Eu acho que esse é o medo da CPI da Covid-19, porque vai chegar nos estados e no município e vai chegar em gente que a imprensa ainda não descobriu. Assim que acabar a pandemia para mim é uma prioridade essa investigação”, finalizou.

Assista na íntegra o programa com Jorge Kajuru: