Brasil perde o seu capitão

  • Por Mauro Beting/Jovem Pan
  • 11/05/2018 14h31 - Atualizado em 11/05/2018 14h31
EFE

Daniel Alves seria o que foi Bellini se o Brasil conseguir vencer a final 60 anos depois da decisão de Rasunda. Dani seria o sexto capitão campeão mundial pelo Brasil se a Seleção repetir o feito do Chile, em 1962. Quando outro camisa 2 – como foi o central Bellini – e o sucessor de posição e capitão – Mauro – levantou o caneco. Eram zagueiros, com a camisa 2. Não laterais como Dani. Como Carlos Alberto, o Capita do tri, de 1970, com a camisa 4.

O Brasil foi tetra em 1994 com um volante como Dunga erguendo a nova Copa com a 8. Como seria um volante como Emerson o provável capitão do penta em 2002 não fosse uma lesão na véspera de estreia. A que deixou a tarja de capitão campeão para Cafu. Outro 2. Outro lateral-direito. Outro multicampeão como Daniel Alves.

Cafu de três finais de Copas. Dignamente substituído por Daniel Alves desde então. Até como reserva de Maicon, em 2010. Mas atuando como titular até a eliminação, quando substituiu o lesionado Elano no meio-campo. Daniel Alves que era titular indiscutível até cair de rendimento e merecidamente perder o lugar no time de Felipão em 2014. Sacado da equipe contra a Colômbia. Do banco vendo o 1 a 7. Aos microfones defendendo o indefensável. Depois deixando a Seleção. E a ela voltando com todo o talento, tarimba, competência e exemplo que o fizeram ser escolhido para levantar a taça que o Brasil ainda pode conquistar.

Mas ele não.

Tão perto esteve de mais um sonho. Como Pepe bicampeão mundial em 1958 e 1962 mas sempre lesionado. Como Julinho machucado em 1962 – e que abriu mão da Seleção em 1958 por achar ser “injusto” atuar por um clube italiano e tirar o lugar de um atleta que jogasse por um time brasileiro. Como Gerson também estava lesionado em 1962 antes de brilhar em 1970. Quando Toninho Guerreiro foi cortado antes do México por “sinusite” (?!), Leônidas e Rogério por lesões antes da Copa.

No tetra, Mozer foi cortado bem antes. Ricardo Gomes, já nos EUA. Em 2002, a dor de Emerson fez com que fosse lembrado por todos os pontas na celebração. Como outros tantos, de Tesourinha em 1950 a Careca em 1982, que falta fizeram em Copas perdidas. Ou mesmo Pelé em 1962 (nem tanta) e Neymar em 2014 (…) que nos deixaram órfãos. Vencendo lindo ou perdendo feio.

Daniel perdeu sua última Copa. No jogo em que venceu a Copa da França. A sua 38ª conquista como atleta. Ele tem mais títulos que o PSG dele. Ele não tem substituto à altura na faixa que deve abraçar Miranda. E menos ainda tem quem possa estar à altura dele na Rússia pra vestir a 2 tão campeã quanto capitã. Ainda que ele mesmo não estivesse jogando o que sabe e pode na França.

Danilo é o mais potente e versátil nome. Mas preocupa a comissão técnica por questões táticas e na marcação. Algo que Fagner supre as inquietações de Tite, ainda que bastante discutido por aqui. Rafinha é o melhor nome. Mas a idade pesaria tanto quanto desconfianças da entidade em relação a convocações passadas e algumas questões pensadas na CBF.

Tite já não tinha convicção plena do reserva. Agora terá duas interrogações na Rússia. Como também pareciam ser Aldair e Márcio Santos, irretocáveis em 1994, substituindo os Ricardos. Gilberto Silva idem, em 2002. Jairzinho foi o Furacão de 1970 aberto onde poderia ter atuado Rogério. Amarildo foi o Possesso possuído pelos gols de Pelé, em 1962. Zito ganhou a vaga do lesionado Dino Sani durante a Copa onde mandou bem demais. O lateral-direito Djalma Santos substituiu o esforçado De Sordi na final e foi o melhor da Copa de 1958.
A sorte está lançada. Que Tite seja feliz nas escolhas. E que o espírito vencedor de Daniel Alves siga aberto pelo lado. E que o novo capitão seja tão bom e vencedor quanto ele.