Mauro Beting lamenta morte de Rodrigo Rodrigues: ‘Todo mundo gostava dele’

O comentarista do Grupo Jovem Pan teve de conter a emoção para homenagear o amigo ao vivo no Esporte em Discussão

  • Por Jovem Pan
  • 28/07/2020 14h03 - Atualizado em 28/07/2020 15h43
Montagem sobre fotos/ReproduçãoMauro Beting lamentou a morte do amigo Rodrigo Rodrigues

Em participação no Esporte em Discussão desta terça-feira, 28, no Grupo Jovem Pan, o comentarista Mauro Beting homenageou Rodrigo Rodrigues, apresentador do SporTV que morreu no início da tarde, após contrair Covid-19. Rodrigo estava internado na unidade intensiva de terapia (UTI) do Hospital Unimed-Rio, no Rio de Janeiro, desde o último domingo, 26, e, após apresentar sintomas da doença provocada pelo novo coronavírus há duas semanas, chegou à emergência com cefaleia, vômitos e desorientação. O jornalista passou por uma cirurgia para aliviar a pressão intracraniana, mas acabou não resistindo. Beting, que era amigo de Rodrigues e trabalhou com ele em diversos veículos de comunicação, relembrou a morte do próprio pai, o também jornalista Joelmir Beting, em 2012, e lamentou o ocorrido.

“Em 33 anos de ofício e 30 anos de esporte, quando me perguntam: ‘qual foi a notícia mais exclusiva que você deu?’. Eu respondo: ‘foi a morte do meu pai, na rádio em que eu trabalhava na época, em 2012’. Mas era algo irreversível. Meu pai havia tido um AVC num domingo de manhã e, na quinta-feira às 13h15, eu estava no ar, entrevistando o Rogério Ceni, quando recebi do meu irmão a informação de que o meu pai havia morrido. E eu dei a notícia porque estava preparado, porque eu já havia escrito um texto para o meu blog porque já se sabia, desde domingo, que o quadro era irreversível. Desde que o Rodrigo Rodrigues foi internado, a gente sabia da dificuldade e da gravidade do caso, e a gente fez algo que eu não queria fazer, mas tinha de fazer, para onde trabalhamos juntos, o Esporte Interativo. Eu gravei (um texto em homenagem a Rodrigo Rodrigues), e eu e o meu chefe falamos: ‘esperamos não colocar no ar'”, afirmou Mauro Beting.

“Eu só queria falar uma coisa do Gordinho… Vendo as últimas mensagens que a gente trocava e lembrando de todas as bobagens que a gente falava no ar… Ele era dos poucos caras que eu conheci não só no jornalismo, mas na vida, que não tem contraindicação. Todo mundo gostava dele. Jogador, árbitro, colega… Quantas vezes a gente já não teve que separar algumas confusões? E é só ver a comoção que teve desde que ele foi internado, no sábado”, disse o jornalista do Grupo Jovem Pan, antes de mandar um recado diretamente ao amigo: “pega o teu violão, chega lá em cima, manda um beijo para o meu velho e faz um guia de como é chegar aí no céu!”. Beting também ressaltou a parceria e fidelidade de Rodrigues. “Ele queria morar sozinho, não queria ter um relacionamento sério, mais estável, não queria ter filho… Ele era um cara que queria morar sozinho, mas, ao mesmo tempo, era muito amigo. E amigo de ajudar os outros mesmo… Ele não tinha contraindicação”, definiu.

Flavio Prado, comentarista do Grupo Jovem Pan que também era bastante próximo a Rodrigo Rodrigues, relembrou contatos recentes que teve com o apresentador. “Nesse período de pandemia, nós fizemos várias lives sobre Beatles, porque era um amor comum. E ele batizou (o projeto) de ‘All We Need is Live’, criativo para caramba. A gente fez várias (lives), e marcamos de nos encontrar aqui em São Paulo. É um cara que chegou a trabalhar comigo na TV Cultura, na TV Gazeta… A gente acabou de perder um cara que a gente amava muito. Todos nós”, afirmou.

Rodrigo Rodrigues teve passagem por vários veículos de comunicação, começando a sua trajetória na Rede Vida, em 1995. Anos mais tarde, ele passou pela TV Cultura, SBT e Bandeirantes até chegar à ESPN, em 2011, quando assumiu a função de apresentador do “Bate-Bola”. Nos últimos anos, ele passou também pela TV Gazeta, pelo Esporte Interativo e pela Rádio Globo antes de ser contratado pela Globo, no início de 2019. Fora do ambiente de trabalho, Rodrigo Rodrigues tinha como passatempo música, cinema e viagens, temas sobre os quais escreveu em seus livros e que faziam parte do apresentador. Ele também era guitarrista da banda “The Soundtrackers”. Durante uma apresentação da banda no “Domingão do Faustão”, Rodrigo respondeu assim à pergunta do apresentador sobre o começo de sua carreira: “eu comecei desenhando, aí passei pro violão. E, aí, quando eu achava que ia ser professor de arte e tocar na noite, eu fiz um teste acidental e virei apresentador. Não parei mais, faz 25 anos… Mas eu nunca deixei de tocar, eu faço questão de manter a banda porque uma paixão alimenta a outra”.