Associações lançam campanha para que o alho nacional seja preferência entre os consumidores

Com mensagens informativas sobre o benefício do alimento, produtores esperam aumentar vendas e, consequentemente, melhorar a cadeia de produção

  • Por Jovem Pan
  • 12/12/2021 12h44 - Atualizado em 13/12/2021 14h04
Divulgação/Anapa Modelo de alho cultivado no Brasil Tipo de alho produzido no Brasil; produtores querem incentivar consumo da iguaria nacional

Em 2021, a produção de alho cresceu no Brasil. Foram 20 milhões de caixas, contra 16,5 milhões produzidas em 2020. Minas Gerais é o maior Estado produtor, responsável por quase metade do volume nacional. Além disso, a produção nacional abastece cerca de 50% do consumo interno e o restante vem principalmente da China e Argentina. Segundo o presidente da Associação Mineira dos Produtores de Alho, Flávio Márcio da Silva, a meta é aumentar a produção no Brasil. “Esta é a intenção de toda a classe produtora de alho no país. Que o Brasil, dentro de dois anos no máximo, seja autossuficiente na cultura de alho, não dependendo da importação de outros países. Para isso, nós precisamos ter uma política pública, uma estabilidade nas políticas públicas para a cultura do alho, porque nós ainda dependemos da tarifa de antidumping para competir com o alho importado, principalmente o que vem da China”, afirmou.

Segundo o presidente da Amipa, o alho tem movimentado pequenos produtores no sul e médios e grandes no sudeste e centro-oeste. “Além dela ser altamente geradora de empregos, 16 diretos e indiretos por hectare plantado, ela é uma cultura altamente distribuidora de renda, não só para o trabalhador, mas também para o produtor rural. Ela é uma cultura que divide renda com quem produz”, afirmou. De acordo com Rafael Corsino, presidente da Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa), existe uma grande diferença do alho produzido aqui no Brasil, que, afirma ele, ser o melhor alho do mundo. “O alho brasileiro tem cinco vezes mais alicina e também mais sabor. É muito importante a dona de casa saber e conhecer o produto brasileiro nas gôndolas do supermercado. Essa é a importância da campanha, levar esse conhecimento para o consumidor.”

Para incentivar o consumo do alho brasileiro, associações do setor, em parceria com a Abras, lançaram o projeto “Brasil Temperado”. A campanha deve contar com painéis informativos dentro dos supermercados. Além disso, os funcionários vão ensinar aos clientes as qualidades do alho nacional. O objetivo é incentivar o consumo e, na outra ponta da cadeia, fomentar a produção. O vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados, Marcio Milan, explica que neste primeiro momento a ideia é testar a comunicação da campanha para, futuramente, ampliá-la em todo o país.

“O que estamos fazendo com isso são os dois movimentos: primeiro, mostrar para o consumidor que o alho nacional brasileiro é o melhor do mundo, divulgando os seus benefícios, não só para temperar, como na ajuda ao combate do resfriado, por ser rico em oxidantes, por melhorar toda a questão cardiovascular, e ainda auxiliar na atividade física. Hoje o consumidor desconhece isso. O outro objetivo é que o consumidor, com esse conhecimento, vai consumir mais. Para isso, os produtores vão precisar melhorar a sua tecnologia, melhorar o seu sistema de produção, para poder, dentro de um prazo que foi comentado, de dois ou três anos, ter toda a necessidade do consumo do Brasil produzida internamente, como acontece com outros produtos”, disse. Ainda segundo Milan, durante a campanha, o consumidor terá a oportunidade de verificar a origem e os processos de produção do alho brasileiro. “O consumidor está mais atento, mais preocupado com os alimentos que consome, com a origem, e isso se acelerou com a pandemia da Covid-19. O consumidor está preocupado com a saúde, com o bem estar”, afirmou. Até setembro, o Brasil importou 106 mil toneladas de alho, com gastos de US$ 139 milhões. Neste ano, a Argentina lidera o fornecimento para o Brasil com 62 mil toneladas, seguida da China e da Espanha.

*Com informações da repórter Caterina Achutti