Academia Brasileira de Letras e autoridades exaltam legado de Sergio Rouanet, que morreu aos 88 anos

Diplomata liderou a criação da Lei Brasileira de Incentivos Fiscais à Cultura, iniciativa que acabou sendo batizada posteriormente com o seu nome

  • Por Jovem Pan
  • 04/07/2022 11h32
Reprodução/Instagram sergio-paulo-rouanet-morre-aos-88-anos Diplomata, filósofo, professor universitário, tradutor e ensaísta brasileiro, Sergio Paulo Rouanet morreu aos 88 anos.

Políticos e intelectuais lamentaram a morte do ex-ministro, filósofo e escritor Sergio Paulo Rouanet, que faleceu por problemas causados pela síndrome de Parkinson. O carioca foi diplomata de carreira desde os anos 50 e ocupou postos na ONU, OEA e Itamaraty. O professor também integrou por 30 anos a cadeira de número 13 da Academia Brasileira de Letras. O órgão declarou que Rouanet era um exemplo de intelectual público que colocou sua competência a serviço da Cultura brasileira sem abdicar de valores éticos. Nas redes sociais, o ex-governador de São Paulo, João Doria, prestou solidariedade aos familiares e afirmou que o Brasil chora a morte do diplomata. O ex-ministro Cristovam Buarque ressaltou que Rouanet “promoveu contribuições monumentais ao pensamento brasileiro”.

Foi como secretário de Cultura do governo Collor, em 1991, que o diplomata liderou a criação da Lei Brasileira de Incentivos Fiscais à Cultura, a iniciativa acabou sendo batizada com o seu nome. A Lei Rouanet, autoriza produtores a buscarem investimentos privados para financiar iniciativas culturais, em troca as empresas podem abater parte do valor investido no Imposto de Renda. A lei promoveu uma revolução no setor cultura, mas, nos últimos anos, foi alvo de perseguição no país. Críticos apontam  benefícios a projetos específicos e prioridade a iniciativas mais por critérios econômicos do que culturais. Durante o governo Bolsonaro, a lei sofreu fortes alterações como limitação de cachês a artistas e a mudança de nome.

Questionado sobre a alteração em 2018, Rouanet disse que era uma ótima ideia pelo momento político do país e admitiu sentimentos dúbios em relação à lei, reconheceu que haviam críticas justas e injustas e afirmou que era preciso uma revisão do texto para que ele viabilizasse projetos que sem apoio teriam dificuldades de existir. Em 2020, já debilitado pelo mal de Parkinson, o diplomata participou de um encontro de ex-ministros da Cultura e, na ocasião, relembrou de uma provocação uma provocação do filósofo iluminista francês Voltaire para defender a liberdade de expressão: “Não concordo com uma única palavra do que me dizeis, mas defenderei até a última gota do meu sangue o teu direito de dizê-lo”.

*Com informações do repórter Vinícius Moura