Advogada de médicos afirma que Prevent Senior solicitava ‘altas celestiais’ a fim de liberar leitos para ‘pacientes VIP’

Em depoimento à CPI da Prevent Senior na Câmara de São Paulo, Bruna Morato alegou que há provas de todas as acusações feitas pelos 12 funcionários que ela representa

  • Por Jovem Pan
  • 22/10/2021 06h52 - Atualizado em 22/10/2021 09h38
BRUNO ROCHA/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO - 21/10/2021Advogada Bruna Morato representa 12 médicos que trabalhavam na Prevent Senior durante a pandemia

Em depoimento à CPI da Prevent Senior na Câmara de São Paulo nesta quinta-feira, 21, o coordenador da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), Jorge Venâncio, afirmou que há indício de fraude científica em um estudo sobre hidroxicloroquina em associação com a azitromicina realizado pela operadora de saúde. “É materialmente impossível alguém fazer uma pesquisa com 600 pessoas em três dias e ainda apresentar o resultado todo. É claro que a pesquisa já estava feita anteriormente”, apontou Venâncio. O Conselho de Ética suspendeu a pesquisa e convocou o pesquisador responsável para uma audiência. Já a Prevent Senior afirmou em nota que não cometeu fraudes.

A Câmara também ouviu o depoimento da advogada Bruna Morato, que representa 12 médicos que trabalhavam na operadora de saúde durante a pandemia e deixaram a empresa. Bruna disse que a empresa solicitava “altas celestiais” a fim de liberar leitos para “pacientes VIP”. Ela auxiliou médicos do plano de saúde a elaborar um dossiê que menciona, além da prescrição de remédios sem eficácia, a ocultação de mortes por Covid-19. “Existe prova de absolutamente tudo. Então não existe uma alegação de óbito, existe uma comprovação deses óbitos. Existe a causa, a tabela do estudo, o estudo em si, o pré-print publicado”, elenca Bruna. Do lado de fora da Câmara Municipal, manifestantes fizeram um ato em favor da operadora de saúde Prevent Senior, que diz que não cometeu fraudes. A operadora ressalta que meramente publicou ma descrição da evolução de casos entre pacientes que tinham usado os medicamentos comparando com aqueles que optaram por não utilizar. Segundo a Prevent, o próprio coordenador Jorge Venâncio alega não ter certeza sobre o tema ao comentar as explicações feitas em 2020 à Comep. Em relação depoimento de Bruna Morato, a empresa ressalta que a advogada será responsabilizada judicialmente e que tem interesse em que o Ministério Público investigue os dados.

*Com informações do repórter Victor Moraes