Ameaçado de processo por Dino, Bolsonaro pede desculpas por ‘brincadeira’ no Maranhão

Em visita ao estado, o presidente afirmou que “virou boiola” depois de tomar bebida tradicional da região

  • Por Jovem Pan
  • 30/10/2020 07h29 - Atualizado em 30/10/2020 08h27
WALLACE MARTINS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOO governador reclamou do que ele classificou como falta de educação do presidente da República

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), se irritou com declarações dadas pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, durante visita ao estado nesta quinta-feira, 29. Dino anunciou que pretende processar o presidente por fazer propaganda política contra o Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Na ocasião, Bolsonaro afirmou que pretende restabelecer a democracia no estado. “Nós vamos, em um curto espaço de tempo, mandar o comunismo embora do Brasil. Nós não aceitamos esse regime ditatorial onde o povo não tem vez, nós somos a liberdade.”

O governador reclamou do que ele classificou como falta de educação do presidente da República. Segundo Dino, Bolsonaro fez piada com uma das marcas mais tradicionais do estado: o Guaraná Jesus. “Agora virei boiola, igual maranhense”, disse o presidente após tomar o refrigerante tradicionalmente rosa. Para se contrapor presidente, Dino defendeu uma comemoração com a bebida típica do estado. “Vocês vão lá, tomem guaraná Jesus, faz bem, é uma coisa boa. Até para os visitantes mal educados a gente serve o Guaraná Jesus. Até para quem é mal educado e não tem Jesus no coração a gente serve também”, disse em vídeo.

Ainda nesta quinta-feira, em live nas redes sociais, Jair Bolsonaro lamentou o ocorrido e pediu desculpas ao governador. “Uma brincadeira que eu fiz com o guaraná cor de rosa, falei uns troços e alguém pegou e divulgou como se eu estivesse ofendendo quem quer que seja no Maranhão. Muito pelo contrário, era maranhense e levou na esportiva. A maldade está aí”, disse. Mas essa não foi a primeira vez que o governador e o presidente se estranharam. Na semana passada, por exemplo, Bolsonaro reclamou que a Polícia Militar do Maranhão, seguindo orientação do governador, havia se recusado a fazer a segurança presencial durante visita que seria realizada no interior do estado. Flávio Dino negou a acusação e a viagem acabou sendo cancelada.

*Com informações da repórter Luciana Verdolin