Anulação prova que suspensão de deputados do PSL era ‘manobra’ por liderança na Câmara, diz Vitor Hugo

  • Por Jovem Pan
  • 12/12/2019 08h24
Michel Jesus/Câmara dos DeputadosDeputado afirmou que fundo eleitoral não é uma prioridade para futuro partido bolsonarista, o Aliança Pelo Brasil

O líder do governo na Câmara dos Deputados, Major Vitor Hugo (PSL-GO), comentou, nesta quinta-feira (12), a anulação, pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) da decisão que determinou a suspensão de 14 deputados do PSL. Em entrevista ao Jornal da Manhã, ele disse que anulação reforça a tese de que as suspensões eram uma “manobra” para conseguir trocar a liderança do partido na Casa.

O filho do presidente, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), era o líder do PSL na Câmara. Após ser um dos parlamentares suspensos, ele perdeu o cargo, que foi dado à deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), pertencente à ala bivarista da sigla – que apoia o presidente da legenda, Luciano Bivar (PSL-PE).

“Ficou muito claro, mais uma vez [com a decisão da Justiça], reforçando nossa tese inicial, que essas suspensões eram uma manobra para conseguir uma maioria artificial para a mudança da liderança do PSL na Câmara, e também uma perseguição em função dos movimentos que o presidente [Jair Bolsonaro] liderou, junto com deputados, cobrando transparência do PSL”, afirmou Vitor Hugo.

“A decisão é liminar mas é um grande indicativo do conhecimento de que isso estava acontecendo, que as punições eram ilegais, inconstitucionais”, continuou, acrescentando que, agora, é preciso esperar a interpretação jurídica da Câmara sobre o assunto para descobrir quem ficará na liderança do partido na Casa.

Aliança pelo Brasil x PSL

Questionado sobre a migração da área bolsonarista do PSL para o Aliança pelo Brasil, partido que Bolsonaro está trabalhando para criar, o deputado disse que o “PSL foi importante. Nos ajudou, todos nos elegemos nesse partido, incluindo o presidente [Bolsonaro], mas agora nossa visão, planejamento e ações estão todos voltados para a criação do Aliança pelo Brasil”, garantiu.

Vitor Hugo disse que espera, no entanto, que os parlamentares que continuarem no PSL continuem “votando junto” com o governo. “Não acredito que, mesmo na ala bivarista, eles vão negar tudo aquilo que foi construído por eles também ao longo desse ano em termos de votações e alinhamento com o governo, com pautas econômicas liberais e ideais conservadores. Se o PSL que permanecer na ala bivarista abandonar suas próprias pautas, as pautas que defenderam na pré-campanha, na campanha, durante primeiro ano de gestão, vai ficar claro para a população que houve, na verdade, uma fraude eleitoral, porque eles foram eleitos com esses princípios. Se isso mudar porque houve rompimento, vão mostrar que enganaram os eleitores”, disse.

Sobre o fundo eleitoral, o deputado disse que ele não é prioridade para o Aliança pelo Brasil. “Não há problema de sairmos [do PSL] sem fundo eleitoral, embora saibamos que ele vai ser estratégico nas próximas eleições, tantos nas municipais, de 2020, como nas próximas gerais, em 2020.”