Após renúncia de premiê, Itália discute próximos passos para tentar barrar crise

  • Por Jovem Pan
  • 21/08/2019 09h27
EFEDecisão vai ficar mais nas mãos dos partidos políticos do que do presidente, Sergio Mattarella

O presidente da Itália, Sergio Mattarella, inicia hoje as consultas aos partidos locais para definir o próximo passo em mais uma crise política. Há 14 meses atrás, o país inaugurou uma disforme e descabida coalizão política que somente os ingênuos imaginavam que poderia dar certo.

Duas legendas populistas, a Liga e o Movimento Cinco Estrelas, se uniram prometendo quebrar o establishment político e recuperar a economia, que anda em uma situação complicada há quase uma década.

No fim, o que aconteceu foi que o lado mais perigoso da aliança ganhou popularidade e roeu a corda numa jogada oportunista típica de quem não tem compromisso com o país e sim com objetivos próprios.

Matteo Salvini, líder da Liga, acredita que reúne popularidade suficiente para se eleger líder do país sozinho, sem precisar de uma coalizão. Por isso, ele começou uma série de movimentos para derrubar o atual governo e forçar a convocação de uma nova eleição.

Sendo assim, deu início ao processo que jogou a Itália em mais uma crise política em meio a instabilidade econômica. Sem apoio no parlamento, coube ao primeiro-ministro, Giuseppe Conte colocar o cargo à disposição na terça-feira (20).

O plano de Salvini de antecipar as eleições em três anos e meio pode, no entanto, dar errado porque o outro lado da coalizão, o Movimento Cinco Estrelas, está discutindo uma possível aliança com a centro-esquerda, para formar um novo governo sem a necessidade de convocar os italianos às urnas novamente.

Ainda não está claro o que irá ocorrer – a terceira possibilidade em jogo é a formação de um governo técnico para que o país não fique completamente paralisado. Tecnicamente, a decisão é do presidente, mas no final das contas quem vai decidir são os partidos políticos e essas movimentações das próximas horas.

O que está bastante evidente, no entanto, é que Salvini foi para o tudo ou nada em sua agenda de tomada do poder na Itália. O impacto disso na economia do país é incerto e a União Europeia (UE) sabe dos riscos que a instabilidade traz para o bloco já que, afinal de contas, o PIB italiano é razoavelmente relevante e as dificuldades por lá não serão resolvidas no curto prazo.

A Itália só perde para a Grécia no que diz respeito ao endividamento público na Europa e as perspectivas diante da crise política não são nada animadoras.

*Com informações do repórter Ulisses Neto