Baldy vê ‘oportunismo político’ em movimento grevista dos metroviários em meio à pandemia

Acordo entre governo e sindicato dos metroviários aconteceu apenas nesta madrugada, o que gerou transtornos, segundo o secretário dos Transportes Metropolitanos

  • Por Jovem Pan
  • 28/07/2020 09h06 - Atualizado em 28/07/2020 09h15
ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDOApesar de suspensão de greve, metrô teve atraso e aglomeração

Alexandre Baldy, o secretário dos Transportes Metropolitanos de São Paulo, explicou, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, nesta terça-feira (28), os motivos de, apesar da suspensão da greve do metrô, as estações terem enfrentado problemas, com atrasos e aglomerações de usuários. A decisão pela suspensão, que aconteceu somente nesta madrugada, acabou causando transtornos, já que as estações não conseguiram abrir às 4h40. “Foi uma nítida inflexão por parte do Sindicato dos Metroviários. Por mais de 6 vezes propostas foram apresentadas para chegarmos a acordo entre o Metrô e o Sindicato. Em meio à crise de saúde do novo coronavírus, que provoca consequências sem precedentes na economia, impacta no número de passageiros, os benefícios que estavam sendo discutidos, que foram colocados à mesa, aqueles que estavam acima da média do mercado, portanto, como qualquer empresa, é sempre [uma discussão] complexa, mas jamais imaginaríamos uma decisão de oportunismo político do movimento grevista em meio à pandemia que já deixou mais de 20 mil mortos, é algo impensável neste momento.”

Segundo o secretário, o Governo de SP “abriu mão” das suas posições em nome “do cidadão e cidadã que trabalha, precisa do metrô, não tem opção, sobretudo neste momento que devemos evitar aglomerações”. “Quando o governo percebeu que haveria paralisação não poderíamos correr este risco, chegamos ao acordo e o Sindicato resolveu votar somente depois da meia-noite. Eles acabaram se comprometendo a colocar todos os trabalhadores em suas funções, era essa a parcela de responsabilidade do sindicato. Nós acreditamos porque cumprimos nossa parte, para que o metrô tivesse todas as estações abertas e todas os trens para os 1,4 milhão de passageiros.

Baldy ainda explicou que o sistema PAESE (Plano de Atendimento entre Empresas em Situação de Emergência) havia sido acionado, mas, como o acordo foi firmado, “ele foi desativado”. Ele reforçou que o momento em que a sociedade passa, diante da crise do novo coronavírus, “não permitirá mais qualquer tipo de movimento grevista.”

Depois dos problemas da manhã, no entanto, Alexandre Baldy comunicou que todas as estações estão operando normalmente, embora os trens tenham demorado mais a irem para os trilhos em sua totalidade.