Bolsonaro acusa Instituto Butantan de superfaturamento da CoronaVac; Doria rebate

Presidente afirma que a entidade cobrou 10 dólares por dose da vacina, enquanto outra empresa teria oferecido pela metade do preço; o instituto é o único representante da Sinovac na América Latina

  • Por Jovem Pan
  • 23/07/2021 10h33
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDOPresidente disse que foi alertado por Marcelo Queiroga do problema e já pediu apuração para os órgãos de fiscalização

O presidente da República, Jair Bolsonaro, cobrou explicações do Instituto Butantan sobre a planilha de custos da CoronaVac. Segundo ele, há suspeitas de superfaturamento das doses, uma vez que o governo federal teria recebido uma proposta de uma empresa oferendo a vacina pela metade do preço. O presidente disse que foi alertado pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, do problema e já pediu apuração para os órgãos de fiscalização. “Estamos em guerra, não podemos pensar. Não quero nem imaginar superfaturamento. Conversei com Queiroga: ‘noticia o Ministério da Justiça’. Foi feito ontem. Hoje também falei: ‘oficia o Tribunal de Contas da União’. Isso tem que ser investigado por nós”, afirmou. O governador de São Paulo rebateu as acusações. João Doria disse que o presidente “delirou” ao fazer acusações sem provas e que Bolsonaro estaria tentando desviar a atenção das denúncias contra o Ministério da Saúde, que teria recebido uma proposta para comprar o imunizante por um valor três vezes maior.

Segundo o governador, o objetivo do presidente seria tentar camuflar negociações escusas. Doria ainda lembrou que o Butantan é o único representante da Sinovac no Brasil e em toda América Latina para comercialização da CoronaVac. Bolsonaro, no entanto, mostrou documentos que, segundo ele, comprovariam a oferta do laboratório chinês. “Espero que o Butantan explique, nos dê planilhas de custos. Por que custa 10 dólares a CoronaVac entregue por nós? Por que a empresa de cima, que fornece o IFA também, é chinesa, oferece vacina a 5 dólares?”, questionou. Em meio à nova polemica, o presidente voltou a levantar dúvidas sobre a eficácia do imunizante. Ele também descartou a possibilidade de tornar a vacinação contra a Covid-19 no país.

*Com informações da repórter Luciana Verdolin