Bolsonaro afirma que deve se filiar ao PP ou ao PL: ‘Me dou bem com os dois partidos’

Presidente precisa escolher um partido até março de 2022 para poder disputar as eleições; chefe do Executivo não confirmou que será candidato à reeleição

  • Por Jovem Pan
  • 27/10/2021 10h56 - Atualizado em 27/10/2021 10h58
Reprodução/Youtube/Jovem Pan NewsO presidente Jair Bolsonaro foi o entrevistado desta quarta-feira pelo Jornal da Manhã

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) declarou nesta quarta-feira, 27, que definirá em breve qual o partido se filiará para disputar as eleições de 2022. Em entrevista ao canal Jovem Pan News, que estreou nesta quarta, o chefe do Executivo revelou que está entre o Progressistas (PP) e o Partido Liberal (PL). “Hoje em dia está mais para o PP e o PL. Me dou muito bem com os dois partidos. Eu converso com as lideranças desses partidos que eu tenho interesse, caso dispute a eleição, sobre termos uma bancada no Congresso. Eu tenho interesse em indicar metade dos candidatos ao Senado, pessoas perfeitamente alinhadas conosco”, disse Bolsonaro sobre seus planos.

Apesar de admitir a necessidade de ter uma legenda para o próximo pleito, Bolsonaro não confirmou se realmente irá disputar a reeleição à Presidência da República em 2022. Segundo o presidente, ele não pensa em política no momento. “Eu não penso em política, se não eu não trabalho. Mas eu tenho que ter um partido de qualquer maneira. Eu não sei se vou disputar a reeleição ou não. Está cedo ainda”, afirmou o chefe do Executivo. Ainda que seja cedo para iniciar a campanha para 2022, o presidente reconhece que está atrasado na escolha de um partido. Bolsonaro tem até março de 2022 para se filiar a uma legenda. “Estou atrasado nisso, mas a escolha de um partido é que nem um casamento. Mesmo escolhendo a gente tem problema, imagina escolhendo de atropelo”, apontou.

Em relação ao cenário político atual, o presidente criticou os efeitos negativos do relatório da CPI da Covid-19 na imagem do Brasil perante ao mundo. “A CPI causou um estrago. Não em cima de mim, porque eu estou aqui para apanhar também. Eu não estou preocupado com a minha biografia minha, eu sou um general que está na frente de combate. Eu estou levando tiro o tempo todo e não tem problema nenhum. Mas para fora do Brasil a imagem é péssima. Acreditam que estamos vivendo aqui em uma ditadura”, avalia o presidente, que acredita que o relatório de Renan Calheiros foi uma vingança à família Bolsonaro, que ajudou a eleger Davi Alcolumbre como presidente do Senado Federal em 2019. “Quem tem um pouco de juízo sabe que aquilo foi uma palhaçada. Foi a CPI do Renan Calheiros. Talvez para se vingar, porque quem decidiu a eleição do Alcolumbre em 2019 foi o meu filho, quando ele abriu o voto no Alcolumbre”, relembra.

PEC dos precatórios criará espaço para o Auxílio Brasil

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan News, o presidente Jair Bolsonaro defendeu a aprovação Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos Precatórios como forma de possibilitar a criação do Auxílio Brasil, novo programa social em substituição ao Bolsa-Família. Para ele, o novo benefício é uma forma de superar a crise econômica gerada pelo distanciamento social. “Nós sabemos do problema, sabemos que tem aumentado bastante a inflação dos gêneros alimentícios. É uma consequência da política do ‘fica em casa e a economia a gente vê depois’. Mas não basta eu falar isso, eu tenho que buscar alternativas”, afirmou o presidente. “Eu falei com o Paulo Guedes que a média do Bolsa Família estava em R$ 192. Eu disse: ‘Nós temos que dar uma ajuda, porque esse pessoal não tem como arranjar emprego, não tem qualificação para ter emprego’. Nós trabalhamos para buscar uma folga no teto de gastos”, explicou o presidente sobre a alternativa encontrada na PEC dos Precatórios.

A proposta faz duas mudanças que abrem espaço no teto de gastos para que o Auxílio Brasil com valor de R$400 seja viabilizado: estabelece um limite anual para o pagamento dos precatórios, dívidas da União já reconhecidas pela Justiça em caráter definitivo – será de no máximo R$ 50 bilhões, menos do que os R$ 90 bilhões que estavam previstos para 2022. O texto também altera a regra para a correção do teto que limita o crescimento das despesas públicas: agora, a inflação usada como base para o reajuste seria considerada pelo período entre janeiro e dezembro do ano anterior, não mais entre julho de um ano e junho do ano seguinte, de forma que o governo poderia gastar mais em 2022 – ambas as mudanças levam a cerca de R$ 84 bilhões disponíveis no orçamento do próximo ano.

O presidente diz que as críticas recebidas sobre a alternativa encontrada pelo Ministério da Economia visam prejudicar o seu governo. “O objetivo é me sufocar pela economia. Os caras querem me tirar daqui de qualquer maneira”. O mandatário do Palácio do Planalto assegurou que o teto de gastos não será ultrapassado. “Não vai ter [furo no teto de gastos], mas não podemos deixar de olhar para o pessoal mais pobre”, acrescentou. O presidente da Câmara dos DeputadosArthur Lira (PP-AL), garantiu que a Casa vai votar a PEC dos Precatórios nesta quarta-feira. “Que coloque em pauta [a PEC dos precatórios]. Se não passar, paciência”, finalizou o presidente.

Confira a íntegra da entrevista do presidente Jair Bolsonaro à Jovem Pan News: