Bolsonaro critica prefeitos e governadores por novas restrições: ‘Povo quer trabalhar’

O presidente pediu que as autoridades parem de criticá-lo e atendam ‘os anseios da sociedade’

  • Por Jovem Pan
  • 27/02/2021 06h27
LUCAS MOURA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDOAs declarações do presidente ocorreram durante a cerimônia de assinatura de três ordens de serviço de obras federais, realizada na cidade de Tinguá, no Ceará

O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), voltou a criticar, nesta sexta-feira, 26, as restrições impostas por prefeitos e governadores para conter o avanço da pandemia. A fala acontece um dia após o Brasil registrar mais de 1.541 mortes em razão da Covid-19 – o maior número desde o início da pandemia. Diversos estados do país e o Distrito Federal vêm anunciando medidas de restrição e, com mais de 90% dos leitos de UTIs ocupados, estão prestes a entrar em colapso.  No entanto, nas palavras de Bolsonaro, o ‘povo quer trabalhar’. “Esses que fecham tudo e destroem empregos estão na contramão daquilo que o seu povo quer. Não me critiquem, vá para o meio do povo, mesmo depois das eleições, porque durante as eleições é muito fácil, quero ver é depois.”

Bolsonaro pediu ainda que os governantes estaduais e municipais parem de criticá-lo e que atendam os “anseios da sociedade” e disse ter certeza que, ao deixar o governo, entregará um país muito melhor do que o que recebeu em janeiro de 2019. Isso, segundo Bolsonaro, graças a um alinhamento com o entre o governo dele e o Congresso, inédito na história do país. “Eu digo que não somos três poderes, somos dois poderes. O Executivo e o Legislativo trabalham juntos, um não trabalha sem o outro. E na história do Brasil, nunca tivemos tanto apoio quando estamos tendo agora, deputados e senadores e deputados estaduais. Não há, entre nós, intrigas, há vontade de trabalhar.”

As declarações do presidente ocorreram durante a cerimônia de assinatura de três ordens de serviço de obras federais, realizada na cidade de Tinguá, no Ceará. Por conta da aglomeração gerada em meio ao que chamou de ‘gravíssima crise sanitária’, o governador do Estado, Camilo Santana, não compareceu ao evento. Santana disse respeitar a autoridade do presidente, mas afirmou que não poderia compactuar com aquilo que considera um grande equívoco. A média móvel de mortes por Covid-19 no Ceará teve alta de 109% nos últimos 14 dias.

*Com informações do repórter Antônio Maldonado