Bolsonaro culpa ‘fique em casa’ por inflação e critica governadores em visita ao Ceará

Presidente falou sobre assunto durante cerimônia de entrega de casas e negou que estivesse fazendo qualquer ato para reeleição no momento

  • Por Jovem Pan
  • 14/08/2021 06h32
Foto: Marcos Corrêa/PR Presidente falou sobre inflação em visita ao Ceará

O presidente Jair Bolsonaro afirmou em visita ao Ceará nesta sexta-feira,13, que considera as restrições impostas por comandantes estaduais e municipais para tentar conter o avanço da pandemia da Covid-19 como um ato criminoso. Para ele, a determinação para que as pessoas ficassem em casa sem apresentar uma alternativa para aqueles que tiveram a fonte de renda afetada foi uma atitude maldosa de governadores e prefeitos. Segundo o presidente, a inflação e a alta no preço de produtos básicos é consequência, justamente, do que chama de “política do fique em casa e a economia a gente vê depois”. “Essa medida, por alguns governadores, entre eles o desse Estado, foram muito mal recebidas pela população. Mandar ficar em casa sem prover ganho para sua subsistência é mais do que uma maldade, é um ato criminoso”, declarou.

De acordo com o presidente, a ideia de ampliar a abrangência e de aumentar o valor médio pago pelo Bolsa Família vem justamente na esteira de tentar diminuir o impacto da inflação na vida do cidadão. Bolsonaro cobra, no entanto, que governadores também pensem em medidas parecidas. “O preço do gás sai de R$ 45 para R$ 130 baseado em três fatores: o frete, a margem de lucro de quem vende e o ICMS do governador do Estado. Se ele pensasse em vocês e nos mais humildes faria o que eu fiz com o imposto federal, é só zerar o ICMS no gás de cozinha”, opinou. As declarações do presidente ocorreram durante a Cerimônia de Entrega de Residenciais, na cidade cearense de Juazeiro do Norte, nesta sexta-feira. No discurso, Bolsonaro fez questão de negar qualquer relação entre a entrega dos imóveis com a possível disputa pela reeleição no ano que vem.

“Não estamos aqui em campanha, muito pelo contrário, estamos em um ato oficial de extrema humanidade para atender aos mais necessitados”, disse. A fala do presidente no Ceará ocorreu horas após a prisão de um dos principais aliados dele, o ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB. Mesmo assim, ele não fez qualquer menção direta ao caso durante os mais de 16 minutos de discurso. Disse, porém, que “raramente se encontra um político que não tenha sido aplaudido ou vaiado”, o que, para Bolsonaro, faz parte do jogo. O importante, de acordo com o presidente, é que haja o que chamou de “humildade” e as críticas não provoquem reações intempestivas, e sim reflexão e redirecionamento.

*Com informações do repórter Antônio Maldonado