Bolsonaro deve entender que PL é plural e tem divergências, afirma líder do partido no Senado

Carlos Portinho comentou o adiamento da filiação do presidente da República à legenda, que estava prevista para a próxima segunda-feira, mas que, agora, não tem mais data prevista

  • Por Jovem Pan
  • 16/11/2021 10h08 - Atualizado em 16/11/2021 12h08
Waldemir Barreto/Agência SenadoSenador Carlos Portinho, líder do PL no Senado Federal

Na manhã desta terça-feira, 16, o senador Carlos Portinho, líder do Partido Liberal (PL) no Senado Federal, concedeu uma entrevista ao vivo ao Jornal da Manhã. O parlamentar comentou o adiamento da filiação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) à legenda. Para Portinho, uma questão importante é que o presidente entenda que o PL é um partido de centro, que convive com muitas divergências internas. O senador também comentou sobre a votação da PEC dos Precatórios no Congresso Nacional e sobre o esforço concentrado, marcado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e que deverá destravar a sabatina de André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal (STF).

“O PL é um partido plural. Quando dizem que é de centro, como outros partidos, significa que nós no PL nós convivemos com facilidade com as divergências. Inclusive, se nós queremos o Brasil com menos partidos, a gente tem que entender que dentro dos partidos, cada vez mais, eles serão plurais. É importante que o Presidente da República Bolsonaro entenda não só que o PL é um partido plural, mas também que o PL é o partido que vai, provavelmente, eleger o próximo Presidente da República. Nós fizemos o gesto, o convite ao presidente Bolsonaro, acreditamos que é possível construir melhor para o país nesse segundo mandato dele, com a ajuda dos partidos que o acompanharam durante todo esse tempo. Mas, é lógico, há algumas questões pontuais, a conversa foi muito harmônica na semana anterior à viagem do presidente e talvez ainda alguns acordos com alguns estados não estão maduros, o que fez o nosso presidente nacional Valdemar sugerir ao presidente da República que a adiasse. Por conta da sua viagem, naturalmente também prejudicou alguma interlocução com relação a alguns estados”, comentou Portinho.

Sobre a PEC dos Precatórios, o senador disse que ela deve ser votada, em primeiro plano, por causa da questão dos precatórios, não do Auxílio Emergencial, que disse considerar muito importante também. “A PEC chegou no Senado depois de uma votação com bastante representatividade na Câmara dos Deputados e é um tema que a gente deve tratar. Eu tenho, inclusive, colocado a questão do auxílio emergencial, é importante sem dúvida, mas ela não pode ser a âncora dessa PEC. A gente tem que entender que a PEC é dos precatórios, então ela serve para resolver um problema primeiro, que é o problema dos precatórios. E tem um argumento que é interessante que deve ser debatido, precatório é uma despesa imprevisível. É uma despesa que o judiciário, ao longo dos anos , com as suas decisões, vai colocando para pagamento pelo Poder Executivo. Isso tem criado, realmente, alguns embaraços e a gente deve se dedicar a isso”, opinou.

Questionado sobre o esforço concentrado do Senado, que deve destravar a sabatina de André Mendonça, Portinho lembrou a mobilização suprapartidária de legendas para que a questão fosse pautada e defendeu o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco em sua decisão. “Houve uma mobilização grande de partidos, de forma multipartidária, Cidadania, PT, PL, PSD, Podemos, buscamos o presidente Pacheco, e evitando obstruir a pauta e com a concordância do presidente, foi marcada a data para essas autoridades todas, como disse o presidente Pacheco, serem sabatinadas. Eu que ele não deixou espaços. São todas as comissões e todas as autoridades. Tem gente que está desde 21019 esperando. Tem outros, como o caso do André Mendonça, que é uma vaga que deixa a possibilidade de, hoje, acontecer um empate, desde julho essa vaga do STF está aberta. A gente tem que respeitar o princípio da separação dos poderes, o Senado exercer o seu dever de sabatinar e essas cadeiras serem preenchidas. O CNJ está parado porque tem duas cadeiras que aguardam sabatina. Então, todas as autoridades e todas as comissões, foi o que colocou, com bastante ênfase, o presidente Pacheco. E não há porque discordar dele, inclusive ajudei a elegê-lo e sei que ele conduz da melhor maneira o Senado.”