Com medidas de isolamento, pandemia dificulta adoções no Brasil

As sentenças de adoção registraram queda de 42% desde o início da pandemia no Brasil

  • Por Jovem Pan
  • 06/10/2020 09h31
PixabayAtualmente, quase 32 mil crianças e adolescentes esperam um lar abrigadas em casas de acolhimento e instituições públicas por todo o país

Formar a própria família sempre foi o sonho do gerente de operações Wagner Yamuto. Ele e a esposa tentaram ter filhos biológicos durante um ano, até descobrirem que gerar não seria possível. Mas isso não foi um obstáculo para transformar o sonho em realidade. Hoje, pai do Gabriel de 11 anos e da Thatha de dois, ele conta que a maior dificuldade foi enfrentar a falta de informação. “O nosso primeiro processo de adoção foi em 2006 e a gente teve muita dificuldade de encontrar o básico, que é o processo. Como eu dou entrada em um processo de adoção, como faço para adotar uma criança? Foi a partir dessa dúvida que decidimos criar um site com esse tipo de orientação para ajudar outras pessoas que não estavam conseguindo esse tipo de detalhe, né?”

E assim foi fundado o Portal da Adoção Brasil, que por meio da internet ajuda os futuros pais mostrando o passo a passo de como dar entrada em um processo de adoção. Desde a documentação, até o pós-adoção. “O que nós queremos mostrar para esses pais é que eles não estão sozinhos. Da mesma forma que achei que eu estava sozinha e com a criação do site vimos que tinham muitas outras pessoas nesta situação e compartilhando seus anseios, angústias e histórias, a gente sentiu mais humano.”

Segundo dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento, do Conselho Nacional de Justiça, atualmente existem quase 32 mil crianças e adolescentes à espera de um lar abrigadas em casas de acolhimento e instituições públicas por todo o país. Desse total, mais de cinco mil estão totalmente prontas para serem adotadas e outras 3.629 estão na fila para adoção. No entanto, ainda de acordo com o Conselho, desde o início da pandemia no Brasil as sentenças de adoção registraram queda de 42%. Embora o número de abertura de processos tenha crescido, os que chegam a ser finalizadas registraram queda em comparação ao mesmo período do ano passado.

Por causa do risco de contágio, o contato entre adotantes e adotados tiveram que ser por telefone ou por chamadas de vídeo durante a pandemia da Covid-19, o que acabou causando um atraso nos processos nas varas da Justiça desde a segunda quinzena de março. Mas foi no olho do furação da pandemia que o pedagogo Erasmo Coelho, de 38 anos, adotou o Gustavo, de 11 anos.  Pai solo, ele entrou com o pedido de adoção em junho do ano passado, mas o encontro entre eles aconteceu em maio deste ano. “Eu sempre tive o sonho de ser pai, desde muito pequeno eu dizia que um dia adotar sem saber muito bem o que era a adoção. Contava, falava para parentes que iria adotar e fui crescendo com esse pensamento. O amor que meu filho tem por mim e eu por ele é impagável, eu faria tudo de novo.”

Iberê de Castro Dias, juiz da Vara da Infância e Juventude de Guarulhos, explica que o tempo de espera na fila de adoção tem ligação direta com o perfil da criança que foi escolhida. Quanto mais restrições como a idade, por exemplo,  maior a demora. Ainda de acordo com o juiz, os interessados em adotar devem procurar o fórum da vara e da infância e do adolescente para receber todas as informações necessária para dar entrada no processo de adoção.

*Com informações da repórter Hanna Beltrão