Comissão do voto impresso ouve peritos da PF sobre segurança do sistema eleitoral

Deputado federal Filipe Barros, relator da proposta de mudança no sistema eleitoral, avalia a possibilidade de votação da matéria no mês de junho

  • Por Jovem Pan
  • 28/05/2021 08h11 - Atualizado em 28/05/2021 10h21
Cleia Viana/Câmara dos Deputados Para a deputada federal Bia Kicis (PSL), autora da proposta, o voto impresso é um pedido da população brasileira

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do voto impresso continua avançando do Congresso Nacional. O relator da proposta pretende discutir com líderes da Câmara dos Deputados a possibilidade de votação da matéria no mês de junho. Filipe Barros (PSL) participou de audiência pública e questionou a atual auditoria do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “É possível falar que há, de fato, auditoria? É possível falar que o sistema hoje é auditável com irrisórios 0,010% de urnas verificáveis?”, questionou o parlamentar. Também presente na audiência, o especialista em perícia contábil e auditor, Roger Maciel, avaliou o controle das eleições. “Ele é auditável, é possível de ser auditado. A amostra é significativa? É pouca. O ideal de uma amostra seria um percentual de 0,010% que é feito hoje”, disse. “Ainda que nunca se tenha comprovado uma fraude ou que ela possa ser considerada muito difícil, ou até mesmo pouco provável. Sob o ponto de vista de segurança da informação, sob o ponto de vista da ciência que permeia essa área de conhecimento, é um fato que não podemos ignorar”, opinou o presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais, Marcos de Almeida Camargo, sobre a atual segurança das urnas eletrônicas.

Para a deputada federal Bia Kicis (PSL), autora da proposta, o voto impresso é um pedido da população brasileira. “Acredito que até pouco tempo atrás o povo brasileiro tinha esse sentimento de segurança também. Só que hoje a gente vê que o povo não compartilha mais desse sentimento de segurança. O povo está clamando por voto impresso”, pontuou. Por outro lado, o deputado Arlindo Chinaglia (PT) questionou a mudança. “Nós não queremos acomodação, mas se a gente for às últimas consequências da dúvida, eu estaria autorizado de ter dúvida sobre todos os resultados eleitorais, mesmo com o trabalho da Polícia Federal, mesmo com o trabalho dos auditores, mesmo com o trabalho das Forças Armadas, que são convidadas, mesmo com o trabalho do Ministério Público e dos partidos políticos. Então isso não é razoável”, afirmou. Para o voto impresso ser implementado nas eleições de 2022, a PEC tem de ser aprovada na Câmara e no Senado até o início de outubro, um ano antes do pleito, de acordo com a legislação eleitoral.

*Com informações do repórter Marcelo Mattos