‘Da minha parte, não haverá ataque’, diz Eduardo Leite sobre disputa com Doria no PSDB

Ao lado do governador de São Paulo, de Tasso Jereissati e Arthur Virgílio Neto, o gaúcho irá disputar as eleições internas do partido

  • Por Jovem Pan
  • 18/06/2021 09h51
Reprodução/Facebook/Eduardo LeiteO governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, se coloca como um nome com vasta experiência política

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), defendeu a provável candidatura do PSDB à presidência da República como uma alternativa à polarização que se instala entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “É importante observar que, além de polarizarem essa disputa, eles têm elevados índices de rejeição. A rejeição de um acaba turbinando os votos no outro. Um é consequência do outro. Eu acho que a gente precisa sair dessa luta política. Temos que pensar a favor do Brasil e do futuro. A gente não pode se resignar ao que está ai e nem querer voltar ao passado”, defendeu o governador em entrevista ao Jornal da Manhã. “Acredito firmemente que, pelos indicadores das pesquisas, das rejeições que os outros candidatos têm, há sim uma alternativa forte, um caminho para a terceira via”, afirmou Leite. “Eu estou vendo nesse cenário que o PSDB vai ser mais uma vez determinante para a alternativa de centro. Não necessariamente precisa ter o candidato, mas tudo sinaliza que o PSDB deve protagonizar com uma candidatura de centro.”

Além de Eduardo Leite, as eleições internas da legenda serão disputados pelo governador de São Paulo, João Doria, pelo senador Tasso Jereissati, do Ceará, e pelo ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto. Sobre Doria, aparentemente o principal nome dentro partido ao lado de Leite, o governador do Rio Grande do Sul afirmou que não irá partir para ataques contra o colega de partido. “Tenho muito respeito pelo governador João Doria. Não haverá da minha parte nenhum ataque. O governador Doria merece o meu respeito. É algum dedicado à gestão, com disciplina, com foco e organização”, apontou o gaúcho. “Fez e faz ações importantes em São Paulo, que é um Estado que já têm 30 anos de governo do PSDB em uma lógica do funcionamento da máquina pública, e que está, pelo menos ao meu ver, no ponto de vista ideológico e programático, em um estágio muito mais avançado do que o Rio Grande do Sul. O Rio Grande do Sul me demandou muito mais foco em reestruturação, privatização, reformas por causa de problemas históricos. Mas o governador João Doria tem seus méritos na administração”, justificou Leite, que afirma que as prévias do PSDB serão uma oportunidade dos dois mostrarem seus estilos para que os membros do partido entendam qual melhor representa o PSDB. “Essa vai ser uma decisão sobre o estilo de fazer política, do jeito, da oportunidade do ponto de vista político eleitoral, porque, do ponto de vista político e de capacidade de gestão, acho que ambos temos.”

Sobre a sua candidatura, Eduardo Leite defendeu a sua trajetória política como um ponto que pode favorecer a escolha do seu nome para disputar a presidência pelo PSDB. “Para mim, a política tem sentido de missão. Eu escolhi muito cedo entrar na vida pública, concorri a vereador na minha cidade quando eu tinha 19 anos. Depois fui vereador, presidente da Câmara Municipal de Vereadores, prefeitos de Pelotas e, hoje, sou governador. Eu tenho uma trajetória com experiência na vida pública e a certeza do que a gente precisa para poder fazer o Brasil deslanchar é fazer o governo funcionar melhor”, justificou. “Entendo, no cenário nacional, que a gente precisa construir uma alternativa de centro mais sensata, mais equilibrada, que coloque a energia toda do governo para enfrentar os reais problemas que afetam a população. Se dispersa muita energia em brigas completamente inúteis ou em temas polêmicos que não vão contribuir com a melhoria da vida da população”, disse. “Tenho 20 anos de filiação partidária ao PSDB, apesar de ter 36 anos. Foi o único partido que eu me filiei e eu quero dar minha colaboração oferencendo o meu nome e a minha trajetória”, completou Leite.

Neste fim de semana, o político irá visitar o Espírito Santo, mas assegura que seu foco principal ainda é governar o Rio Grande do Sul. “Sem dúvida o meu foco é com o governo do Estado. Agora o Rio Grande do Sul não é uma ilha, ele está inserido no contexto nacional. A gente tem que entender que o Estado precisa participar ativamente dessa discussão sobre os rumos do Brasil. Eu vou fazer isso com todo o cuidado de quem governa o Estado e tem uma responsabilidade com a sua população. Vamos discutir o Brasil, discutir o futuro a partir do pós-pandemia. Menos em caráter de campanha, porque ainda não é uma campanha, nem se iniciou ainda o processo das prévias. As inscrições são apenas lá em setembro nas prévias do PSDB. O que se inicia é um processo mais dedicado de discussão de agenda do futuro. Antes do discutir quem, precisamos discutir o que nós queremos para o Brasil”, concluiu.