Dallagnol rebate Lula após críticas à Lava Jato e afirma que petista tem postura ‘desesperada’

Ex-procurador da Lava Jato se diz preocupado com candidatura do ex-presidente e diz que ‘quem é roubado não é feliz’

  • Por Jovem Pan
  • 20/01/2022 08h29 - Atualizado em 20/01/2022 10h35
RENATO S. CERQUEIRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO Deltan Dallagnol Ex-procurador e ex-chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, Deltan Dallagnol

Após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltar a atacar a operação Lava Jato, chamando o ex-juiz Sergio Moro (Podemos) e o ex-procurador Deltan Dallagnol (Podemos) de ‘canalhas’, bem como a atuação de ‘quadrilha’, tanto Dallagnol quanto Moro rebateram as críticas. O ex-procurador, hoje pré-candidato a uma vaga no Senado Federal, concedeu uma entrevista ao vivo para o Jornal da Manhã, da Jovem Pan News, para comentar o assunto. “A postura do ex-presidente é uma postura desesperada, de quem teve contra si uma série de provas de corrupção profunda e multimilionária e que quer desviar a atenção. Ele quer colocar a atenção no ex-juiz Moro e em mim, como se fôssemos duas pessoas contra ele, quando na verdade foram 15 a 20 procuradores, só em Curitiba que atuaram no caso contra ele. E todos se convenceram de que havia provas de corrupção”, alegou Dallganol. “Ele tenta, de movo desesperado, para criar uma narrativa e inverter valores, o rabo abanando o cachorro (…) E quando ele xinga a Lava Jato, ele ofende 80% dos brasileiros que querem a continuidade da operação”, pontuou.

Questionado sobre sua saída do Ministério Público Federal para supostamente fugir de punições do Conselho da entidade por uma atuação com falhas éticas, Dallagnol disse ver a suposição como ‘bobagem’. “Quando eu sai do Ministério Público, não havia sequer um processo disciplinar administrativo contra mim”, disse. “Numa ação como essa [a Lava Jato], em que você atinge interesses de pessoas poderosas, várias pessoas buscam retaliar, e a gente sofreu uma série de representações, dezenas, talvez uma centena de representações, reclamações de pessoas contra nós, em geral pessoas do PT, investigados. E é natural, porque incomodamos interesse de poderosos. Agora isso passa por um filtro do Ministério Público. E, contra mim, só foram instaurados dois processos disciplinares, na minha história, por ter exercido a liberdade de expressão, por ter criticado decisões do STF e ter criticado o senador Renan Calheiros”, pontuou Dallagnol.

O ex-procurador ainda defendeu a Força Tarefa da Operação Lava Jato e disse que a decisão de anular os processos de Lula, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), foi equivocada. “É claro foi uma decisão absolutamente equivocada, é claro que não existiu conluio, basta você olhar os números. Essa crítica de conluio não resiste aos fatos, aos números. Basta ver que o ex-juiz federal Sergio Moro absorveu mais de 20% das pessoas que a gente acusou. Basta ver que a gente recorreu de 44 sentenças que foram colocadas pelo ex-juiz. Basta ver que ele indeferiu centenas de pedidos do Ministério Público. E que todas as decisões, e essa é a maior garantia da imparcialidade, estão baseadas em fatos, nas provas e nas leis, e foram revisadas por três instâncias do poder Judiciário. E mais, todas as decisões guardam coerência entre si entre os diferentes réus, diferentes investigados, diferentes fases. Não existiu decisão de um tipo para fulano e outro tipo para ciclano. Não, elas seguiram um padrão. As pessoas podem não gostar do padrão da Lava Jato, pessoas podem não gostar que a Lava Jato foi firme, fez conduções coercitivas, buscas e apreensões, quebras de sigilos bancário e telefônico, que ela recuperou dinheiro desviado, que colocou, pela primeira vez na história, corruptos atrás das grades. Tem gente que não gosta disso. Agora não pode reclamar ou dizer que houve uma quebra de padrão.

Sobre as eleições de 2022, Dallagnol se disse preocupado com a candidatura de Lula. “Me preocupa que uma pessoa contra a qual pesam fortes evidências de corrupção seja um candidato que diz que quer fazer o brasileiro feliz de novo. Quem é roubado não é feliz. Eu sou contra a assunção de cargos de poder por parte de qualquer pessoa contra a qual pesam fortes evidências de corrupção. É uma questão de princípio. Nós não podemos aceitar com os brasileiros que lutam por justiça, por integridade, por honestidade na gestão da coisa pública”, finalizou Dallagnol.