‘Desenho da privatização dos Correios traz grande ônus para quem comprar’, diz Salim Mattar

Ex-secretário do governo Bolsonaro afirma que provável intenção de Martha Seillier ao falar sobre venda ‘barata’ da estatal era dizer que o preço de ingresso será menor devido às condições impostas

  • Por Jovem Pan
  • 30/08/2021 08h55 - Atualizado em 30/08/2021 12h44
Reprodução/Ministério da EconomiaEm entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, Mattar ressaltou que establishment coloca empecilhos no projeto de privatização

O ex-secretário de Desestatização do governo de Jair Bolsonaro, Salim Mattar, acredita que a secretária especial do PPI, Martha Seillier, pode ter sido mal interpretada em sua fala sobre a privatização dos Correios. De acordo com ele, ao falar que a estatal iria a leilão por um “valorzinho”, Seiller quis dizer que o valor de compra será pequeno diante do ônus da aquisição. “O que temos diante de nós é a privatização de um monstro que sempre foi muito oneroso aos pagadores de impostos. A sociedade brasileira, a vida inteira, teve bônus adicional pela empresa ter sido abusada pelo sindicado, teve inúmeros desvios com nomeações políticas. A secretária Martha Seillier é muito competente e está tentando, com todo o esforço, buscar a privatização dos Correios. Fato é que o desenho que saiu para a privatização traz grande ônus para o privado comprar a empresa. Para começar, por 18 meses não pode demitir ninguém. Então, na realidade, esse ‘vender barato’ é que, na verdade, vai custar muito caro. O que ela quis dizer, talvez, é o seguinte: tamanho é o ônus dos Correios para quem comprar, que o preço de ingresso vai ser menor.”

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, Mattar ressaltou que establishment coloca empecilhos no projeto de privatização. “O establishment é o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Eles não são favoráveis ao processo de privatização, a redução do tamanho do Estado, porque, de certa forma, se nós reduzirmos todas as nossas estatais, privatizar tudo, reduz substancialmente o poder. E, no caso de empresas estatais, reduz a massa de manobra porque essas empresas foram usadas ao longo dos anos para fornecer caixa para partidos políticos. Então, não há interesse do establishment em realizar as privatizações.” Para o ex-secretário, se o Brasil pagar milhões de alguém para ficar com os Correios, já seria um ótimo negócio. “O melhor que fazemos é se desfazer dela como estatal e transferir para a iniciativa privada, não importa a que preço” completou. Salim Mattar destacou que os brasileiros receberam um legado da esquerda, que assumiu o poder depois da redemocratização: a Constituição.

Para ele, o documento pode ser considerado um golpe na sociedade porque nós elegemos deputados e senadores que se autointitulam constituintes. “Isso é um golpe. Nós não votamos em constituintes. Houve uma Constituição feita com absoluto conflito de interesse. Imagina: nós entregamos os políticos para fazer uma Constituição e ele continua político, continua se reelegendo. Uma Constituição tem que evitar o conflito de interesse.” Ele lembra que, no governo Sarney, o então secretário da Fazenda, Maílson da Nóbrega, já tinha alertado para os riscos da carta magna tornar o brasil ingovernável. “É isso o que está acontecendo agora. Nós tivemos um candidato eleito com 57,7 milhões de votos com uma pauta conservadora. E essa pauta foi barrada pelo STF e pelo Legislativo. O ‘toma-lá-dá-cá’ não é novidade dos dias de hoje. Bolsonaro não consegue governador porque ele não tem maioria no Congresso. Nossa Constituição já deu o que tinha que dar, já cumpriu o seu papel Precisamos de uma nova, feita por pessoas sem qualquer conflito de interesses”, finalizou.