Desmatamento ilegal na Amazônia é consequência da pobreza da população, diz Salles

O ministro do meio ambiente defende as ações do governo federal e considera que o presidente Jair Bolsonaro tem um ‘bom discurso ambiental’ para as eleições de 2022

  • Por Jovem Pan
  • 12/03/2021 10h38 - Atualizado em 12/03/2021 10h40
Ettore Chierenguini/AGIF/Estadão Conteúdo - 15/12/2020 Salles afirmou que o governo Bolsonaro é responsável por trazer melhorias para a população da Amazônia com uma posição ambiental "muito clara"

O ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, afirmou que um dos principais fatores para o desmatamento ilegal na região da Amazônia é a pobreza da população e a falta de oportunidades. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, nesta sexta-feira, 12, Salles falou sobre as expectativas para 2021 e criticou ambientalistas que, na visão dele, esquecem da população. “O principal fator do desmatamento ilegal é a falta de oportunidade, a pobreza da população. O mundo e o Brasil da região Sul, Sudeste e Centro-Oeste deram as costas para a região da Amazônia, para 23 milhões de brasileiros que precisam ter uma oportunidade de emprego, de renda, melhorar o nível econômico, da saúde, educação”, afirmou. Segundo o ministro, muitos defensores do meio ambiente “não se preocuparam em cuidar das pessoas”, que acabam indo procurar “uma maneira de sobreviver”, mesmo que de forma ilegal. “É necessário resolver as razões pelas quais tem desmatamento na Amazônia. Essas pessoas que executam ações criminosas são cooptadas pelo crime porque não tem outra atividade para fazer na região. Cuidando das pessoas estaremos cuidando do meio ambiente.”

Ricardo Salles afirmou que o governo de Jair Bolsonaro é responsável por trazer melhorias para a vida dessas populações com uma posição ambiental “muito clara”. “Fizemos o que vocês não fizeram, olhamos para pessoas da Amazônia. Candidatos, ex-ministros, alguns até que apoiam supostos candidatos, deixaram brasileiros da Amazônia para trás”, disse, citando o marco legal do saneamento, ações para combate aos lixões e proposta de uma “agenda ambiental urbana” como avanços da gestão federal. “Presidente Bolsonaro tem bom discurso ambiental para apresentar nas eleições de 2022”, afirmou o ministro, que também pontuou as medidas necessárias para evitar novas queimadas na região do Pantanal, episódio que causou intensas críticas ao governo federal no ano passado. “Está chovendo pouco, portanto os reservatórios, a parte da região do Pantanal está acumulando pouca água. Não podemos controlar as chuvas, estamos treinando, comprando equipamentos, contratando brigadistas, no ano passado já houve aumento de 3 mil brigadistas temporários, 10 aviões e seis helicópteros. Esse ano ainda mais equipamentos, a nossa parte está sendo feita”, reforçou, citando que é necessária a atuação dos governos estaduais da região para evitar novos incêndios. 

Recursos

Durante a entrevista, Ricardo Salles também citou o atraso para recebimento dos recursos oriundos do Acordo de Paris. Ao todo, segundo o ministro, US$ 100 bilhões serão pagos pelos países ricos às nações em desenvolvimento, o que inclui o Brasil. A expectativa é que o governo federal receba US$ 10 bilhões pelos acordos climáticos internacionais. De acordo com Salles, os Estados Unidos é responsável por 15% das emissões globais, a União Europeia por algo entre 11% e 14%, a China por 30% e a Índia por 7%, o que representa, somando os dados, mais de 60% das emissões no mundo. O Brasil é responsável por 3%, sendo que 1,5% decorre do desmatamento, principal foco a ser combatido no país. “A nossa missão com relação a esse problema internacional é reduzir o nosso desmatamento ilegal e para reduzir o nosso 1,5%. Para isso precisamos dos recursos prometidos no Acordo de Pais, isso não tem nada a ver com soberania. São recursos que foram prometidos aos países em desenvolvimento, dentre eles o Brasil, pelos países ricos e esse compromisso não foi cumprido ainda. Ele deveria a partir do ano passado fluir 100 bilhões de dólares e até agora não houve essa fruição dos recursos. O Brasil já reapresentou o seu compromisso nacionalmente determinado e ali já inseriu a pretensão de receber 10 bilhões de dólares a título de contribuição das nossas emissões, da nossa preservação da nossa biodiversidade, dos mais de 80% da Amazônia que temos preservado. Já temos a lição de casa feita, o Brasil precisa ser remunerado por aquilo que já fez e ainda por aquilo que fará.”